Duas línguas e(t) uma história

Casamento da Catarina e do Thibault nos Açores

A Catarina e o Thibault conheceram-se em 2021, em Zurique, onde ambos trabalhavam na mesma empresa. Foi num coffee chat entre colegas que tudo começou. “Lembro-me de ter saído desse café e ter dito: ‘ai, gostei muito dele, ele tem tanta graça’.”

O Thibault, que já vivia há cinco anos na Suíça, costuma dizer que nesse dia percebeu que iam casar. Dois meses e muitos cafés e jantares depois, recebeu uma proposta para se mudar para Miami. Decidiram tentar a relação à distância e, durante mais de um ano, viveram entre Zurique e Miami. “Quando duas pessoas querem muito, dá certo”, partilha a Catarina. Hoje, olham para trás e lembram-se da frase que se tornou símbolo da sua história: “sometimes a coffee can change your life.”

O casamento teve lugar na casa da noiva, na Caloura, em São Miguel. “Não há nada mais especial do que casar em casa”. A data escolhida, 2 de agosto, coincidiu com o aniversário de casamento dos pais, 39 anos depois.

A maquilhagem da Catarina ficou a cargo da Soraia da Maquilhagem Natural, uma amiga de família que a acompanhou com a calma que o momento pedia. “É uma pessoa muito tranquila, que me sossegou tanto durante a preparação como quando troquei de capa antes do bolo”. O cabelo foi feito pelo VascoLx Hair Designer, que a conhece desde sempre e percebeu exatamente o que procurava: “algo simples, mas elegante”.

Os sapatos escolhidos foram da Flordeasoka, em veludo, e os brincos tinham um significado especial, uma vez que eram da avó materna, hoje pertencentes à sua tia – irmã da mãe e também madrinha de batismo – que os usou no seu próprio casamento, há 26 anos, no qual esta noiva tinha sido a menina das alianças.

Durante os preparativos, a Catarina vestiu um vestido da Zara Home e mules da Zara.

As alianças e o anel de noivado foram feitos na Ourivesaria Montanha, em Ponta Delgada, uma escolha recorrente na família da noiva. As alianças, oferecidas pelas suas madrinhas, foram criadas a partir de uma réplica das alianças dos avós maternos da Catarina. Já o anel de noivado foi idealizado pelo Thibault, que quis envolver a mãe da Catarina no processo criativo. “Acho que foi um gesto bonito o facto de o Thibault envolvido a minha mãe nesta parte.”

Curiosamente, as alianças foram transportadas numa salva de prata que a mãe da noiva tinha utilizado inúmeras vezes em criança quando era a menina das alianças.

O vestido da Catarina foi desenhado pela Susana Agostinho, escolhida logo após a primeira visita. “Fomos apenas eu e a minha mãe, que era também a nossa madrinha de casamento. A Susana foi a primeira designer a quem fomos e decidimos logo que íamos fazer com ela, sem visitar mais nenhuma.” A Catarina não tinha uma ideia concreta do que queria, mas sabia que procurava algo diferente e sentiu que a Susana Agostinho seria a pessoa certa para o criar.

O processo teve várias fases e até duas versões distintas do vestido. “Lembro-me de uma prova em que mudámos tudo. Tínhamos uma prova marcada numa sexta-feira, mas estávamos tão cansadas que a Susana disse que estávamos a sugar-lhe a energia e que devíamos voltar no dia seguinte.” No sábado de manhã, a prova revelou o tecido da capa comprida, em chiffon de seda com tecnologia de prensa em dimensão e também a capa de pedras usada mais tarde, ambas imediatamente aprovadas. O vestido teve várias transformações ao longo do dia, adaptando-se a cada momento: com a capa comprida na igreja, presa lateralmente no cocktail e com a capa de pedras no corte do bolo e festa. “Acho que o maior elogio que recebi foi que o vestido era mesmo a minha cara.”

Toda a decoração floral, incluindo o ramo da noiva, foi feita pela Mariana, a antiga educadora de infância do irmão da noiva, que teve uma loja de flores e experiência em decorações de eventos. A Catarina queria um ramo diferente dos tradicionais. “Fizemo-lo num formato comprido, com flores nos dois sentidos, apanhado no centro com a seda do vestido.” As flores escolhidas foram Zantedeschia brancas e bordô, também conhecidas por jarros pequenos.

A mãe da noiva levou uma criação do Filipe Faísca, com uns sapatos Flordeasoka e uma mala de madre pérola.

Os meninos das alianças foram vestidos pela Nós e Tranças.

A cerimónia decorreu na Igreja de São José, em Ponta Delgada: “É, sem dúvida, a igreja mais bonita em Ponta Delgada. Também é a preferida do Thibault, apesar de não ser de cá.” O casamento foi celebrado pelo padre Duarte Melo, amigo da família e pároco da igreja, que preparou uma homilia que incorporava a história dos noivos.

O coro, coordenado pela Isabel Albergaria, organista, e pela Maria João Vaz do Rego, contou ainda com as vozes da Lídia Medeiros, do Nuno Moniz e do Miguel Baptista. Um dos momentos mais marcantes foi quando o António Agnelo Borges e a Maria João Vaz do Rego interpretaram “All My Love”, dos Coldplay, um tema escolhido pelos noivos.

Os convites de casamento foram desenhados pelos noivos, inspirados no convite de casamento dos pais da noiva, feito há 39 anos. Mantiveram o estilo simples e elegante, acrescentando apenas um detalhe pessoal: as duas línguas, português e francês.

Os menus e missais ficaram a cargo da Rita Rosa Prates, amiga de infância da Catarina e designer em Copenhaga. “Dissemos que género queríamos e ela, com o seu bom gosto, superou as nossas expetativas”.

À saída da igreja, a Catarina usou um lenço que tinha pertencido à avó, que adorava lenços, como forma de a homenagear. Com os óculos de sol do dia-a-dia e o lenço na cabeça, seguiu com o Thibault no carro clássico do pai, um MG MGB de 1969. Segundo me contaram, o momento da saída foi um dos mais comentados do dia.

A Catarina e o Thibault decidiram não ter wedding planner e organizaram tudo em família. Como o casamento foi em São Miguel, o apoio familiar foi essencial. “A minha mãe, o meu pai, o meu irmão e a Madalena, que trabalha em nossa casa há mais de 20 anos, foram incansáveis”, contou a Catarina. Aos domingos, mãe e filha reviam cada detalhe e definiam os próximos passos. Na semana do casamento, amigos e familiares juntaram-se à organização: uma das madrinhas chegou a escrever à mão os números das mesas e as etiquetas dos queijos nas pedras de mármore em bruto, usadas para identificar as mesas e compor o seating plan.

As pedras, excedentes de um fornecedor da mãe da noiva, acabaram por ser transformadas num detalhe marcante da decoração. “Achámos uma ideia gira e diferente e acabámos por dar vida a algo que não teria utilidade”. A decoração esteve naturalmente a cargo da mãe, Leonor Sousa Lima, decoradora de interiores e responsável pela Laço Interiores. Um projeto exigente, mas especial, sobretudo pela logística de casar numa ilha e pela vontade de criar algo único num espaço que não é, por norma, um local de casamentos.

A decoração teve como inspiração os tons terra. O cocktail aconteceu num dos relvados do jardim da casa e a tenda transparente, montada num relvado contíguo, integrou árvores de fruto que já faziam parte do espaço. No interior, as toalhas, guardanapos e candeeiros em linho seguiam a paleta e os centros de mesa combinavam cerâmica, vidro e flores nos mesmos tons, com muitas velas a iluminar o ambiente.

Um dos momentos mais marcantes do dia foi o discurso do Thibault: no início do namoro, a Catarina tinha pena que a mãe não conseguisse conversar tanto com o namorado por não falarem a mesma língua. Mas, ao longo dos quatro anos seguintes, o Thibault aprendeu português e, no casamento, fez parte do seu discurso na língua da família da noiva. Outro detalhe deste casamento, foi a forma como optaram por escrever o nome dos noivos: “Catarina e(t) Thibault”, um jogo tipográfico que uniu as duas línguas e simbolizou a fusão das suas histórias.

Os noivos quiseram fugir ao tradicional momento do corte do bolo. A ideia partiu da mãe da noiva, que sugeriu criar um grande Dom Rodrigo composto por várias miniaturas. Ao som de “Fly me to the Moon”, desembrulharam o bolo assente numa salva de prata que, no interior, escondia as pequenas versões do doce.

Para o corte do bolo, a noiva substituiu a capa inicial por uma de pedras, meteu os brincos que o pai tinha oferecido à mãe nos 50 anos e ainda colocou um colar de pérolas de família.

Sem coreografias, a noiva abriu a pista com dois clássicos que o DJ Gonca Maria meteu a tocar: “Daddy Cool” e “L-O-V-E”, que dançou, respetivamente, com o pai e o marido.

Os noivos escolheram a Amour Toujours depois de verem um pre-wedding partilhado no Chez Godias. “Achávamos que estávamos perto da data, mas perguntámos se ainda estava disponível. E, felizmente, estava e foi uma ótima decisão. Ficámos muito felizes com o resultado.” Para as fotografias digitais, contaram com a Maria Ana Mendonça e o vídeo ficou a cargo do Ricardo Calado.

Outras histórias na mesma região:

Casamento da Mariana e do Alê na Madeira

Casamento da Margarida e do Afonso na Madeira

Casamento da Tati e do Pedro na Madeira