“Ouvi um passarinho”

Casamento da Joana e do Miguel em Penafiel

No dia 19 de julho deste ano, recebi uma mensagem no Instagram de uma seguidora que me mostrava uns cabeçudos num casamento – era uma instastory da Carlota Flor no casamento da Joana e do Miguel. Como fã de noivos autênticos que refletem as suas origens no grande dia, entrei logo em contacto com este casal de designers que se conheceu nos tempos de faculdade.

A cerimónia e o copo-d’água foram realizados na Quinta de Gatão, em Recezinhos, Penafiel, uma zona com a qual a Joana tem grande afinidade, já que parte da sua família é desta região.

O casal encontrou o espaço por acaso no Google Maps e, numa primeira visita, verificou que cumpria os requisitos que procuravam para o seu dia: um ambiente amplo, verde e isolado, com casario que mantém a traça original. A Quinta de Gatão funciona como agroturismo, permitindo que a família pernoitasse antes e depois do casamento, usufruindo plenamente do espaço durante o fim de semana.

Quanto à maquilhagem e cabelo da noiva, foram feitas em família: pela mãe da noiva e a sua amiga Diana Carvalho, que também é maquilhadora.

A Joana usou uns sapatos de salto tipo mules da marca Latouche, escolhidos pelo seu conforto e versatilidade. Os brincos foram os mesmos que a sua mãe usou no casamento e completou o look com uma pulseira improvisada no tornozelo, composta por uma medalha com missangas azuis oferecida pela prima Cristina.

O anel de noivado foi feito na Elements 75’80 e as alianças na Joalharia Tavares.

O vestido da Joana foi desenhado pela Mariana Sousa, da Sous, cujo casamento publiquei no ano passado. O conjunto, composto por um top e uma saia, inclui motivos inspirados nos desenhos dos lenços de namorados, em bordado Madeira.

Foram acrescentadas duas pequenas estrelas-do-mar, que remetem para a ligação da Joana à cidade costeira de Vila do Conde, onde nasceu e viveu até aos 18 anos. Na parte de trás do top, foi bordada a palavra “amor” em missangas com a caligrafia da própria Joana.

O ramo da Joana foi criado pela Menez e incluía cravos, dálias, amarantos e ranúnculos. A equipa da Menez assumiu também o papel de wedding planner e foi responsável por toda a decoração do dia.

O Miguel decidiu mandar fazer o fato por medida. Contactou a alfaiataria Sarto Teles através de uma recomendação e encontrou no Pedro alguém que percebeu de imediato o que procurava: um fato leve de corte clássico e tecido de qualidade. Encomendou o fato, a camisa e o laço. Os sapatos escolhidos foram da Lottusse e os botões de punho, oferecidos pela Joana, foram feitos na Joalharia Tavares.

Relativamente à cerimónia, “a nossa amiga Maria, escritora, planeou cada detalhe e oficializou o momento.” As leituras foram escolhidas com cuidado e “as nossas testemunhas, a prima Cristina e o tio Filipe, levaram todos num carrossel de emoções entre lágrimas e gargalhadas.” Entre essas leituras estavam também dois poemas escritos pelo tio Basílio, “muito querido pela família, mas que infelizmente não pôde estar presente.” Segundo os noivos, “a cerimónia acabou por ser o verdadeiro coração do dia.”

Pouco depois de o cocktail começar, chegaram os bombos e a energia mudou: “de repente, todos rodopiavam e saltavam.” O casamento integrou detalhes familiares e tradições das regiões onde cresceram e, sendo o Miguel beirão, “não poderia haver arraial sem bombos.” Desde o início sabiam que este seria um elemento presente no dia, pelo que contactaram os Zés Pereiras de Galegos e surpreenderam os convidados com os cabeçudos.

“A decoração, feita pela Menez com esculturas de ráfia e cravos, marcou-nos de forma especial, porque evocava os campos de trigo e papoilas vermelhas na altura em que pedi a Joana em casamento. Foi bonito ver como, à medida que a noite avançava, os cravos iam aparecendo pendurados nas orelhas e nos bolsos das camisas.”

Ao longo do dia, a comida foi sempre tema de conversa, com muitos elogios. O catering da Quinta de Gatão baseou-se em cozinha tradicional portuguesa, de confecção caseira, com um menu simples que privilegia a qualidade sobre a quantidade.

Como lembrança, os noivos ofereceram umas canecas tradicionais de barro personalizadas com as suas iniciais.

Durante o jantar, a família cantou “Ouvi um Passarinho”, a cantiga alentejana que a avó paterna da Joana costumava entoar à mesa em todos os aniversários.

O bolo seguiu o novo clássico: redondo e largo, coberto de framboesas. “O sabor estava tão incrível como o aspeto e o momento do corte, rodeados de todos, correspondeu exatamente ao que imaginávamos.”

Esta história conta com fotografias da Ana Maria Henriques, que os noivos conhecem desde os tempos de faculdade, e da Raquel Vinhas, uma amiga dos noivos. Inclui também um presente em formato de polaroids do Francisco Ferreira e digitalizações do estacionário criado pelos próprios noivos, desenvolvido a partir da referência dos recortes de papel em simetria para criar elementos inspirados em símbolos do folclore português.

Por último, na parte em que peço aos noivos para deixarem um conselho aos casais que estão a organizar o seu grande dia, a Joana e o Miguel partilharam: “Sempre que eu e o Miguel tínhamos dúvidas sobre a relevância de algum aspeto, perguntávamo-nos se, enquanto convidados noutros casamentos, ainda nos lembrávamos disso. Este exercício ajudou-nos bastante a relativizar e a priorizar o que é realmente importante.”

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