Sem lugares marcados

Casamento da Pilar e do Manel

Sendo a Pureza de Mello Breyner prima e madrinha de batizado da Pilar, eu estava naturalmente com atenção redobrada a este casamento. Hoje partilho a história do casamento da Pilar, uma rapariga portuguesa, com o Manel, um rapaz com raízes no país vizinho, onde ambos vivem juntos há cinco anos.

Escolher a Pureza surgiu naturalmente, por não imaginar confiar noutra pessoa para criar o vestido para o grande dia. A Pilar descreve-se como indecisa e sem uma imagem clara do que queria, sabendo apenas que o vestido teria de ter mangas e não poderia ter costas abertas nem decotes. O ponto de partida surgiu quando a mãe encontrou um conjunto da coleção Zimmermann x Le Bon Marché, que serviu de inspiração.

A estética do conjunto refletia exatamente aquilo com que a Pilar se identificava, incluindo a ideia de incorporar um crop top, algo que aprecia e que considerou moderno e inesperado numa noiva. Outro elemento determinante foi a necessidade de o vestido se adequar ao local do casamento, uma casa no campo, mas cuidada, procurando um equilíbrio entre elegância, romantismo e um toque campestre.

A maquilhagem da Pilar ficou a cargo da Naná Benjamin – maquilhadora da Mariana da história “A Very Merry Wedding” – que deu particular atenção às sobrancelhas. O cabelo foi entregue à Petra. A Pilar escolheu um apanhado para realçar o vestido e evitar qualquer preocupação com o vento ou madeixas soltas durante o dia. Como queria levar algo na cabeça, porque adora usar acessórios em casamentos, procurou durante algum tempo até encontrar a Carmen María Mayz, no Instagram, que cria toucados de porcelana feitos à mão. “Fui ao atelier dela aqui em Madrid e saí de lá com o meu toucado, que acabou por ser o meu “something new””.

Os sapatos foram comprados antes da primeira prova do vestido, certa de duas coisas: queria tacões, para ganhar altura no dia, e queria sapatos de ráfia. Quando a Pureza viu a inspiração da Zimmermann, sugeriu um modelo da Castañer.

O Manel escolheu o anel de noivado a partir de uma fotografia que a Pilar tinha mostrado à mãe um ano antes. Aconselhado por um dos padrinhos, foi à Maison Simão, onde transformaram o anel da fotografia num anel de noivado com uma safira azul ao centro e três diamantes de cada lado, que se tornou o seu “something blue”. As alianças também foram feitas no mesmo sítio e oferecidas pelos padrinhos e madrinhas. No interior de cada anel gravaram a data do casamento e a palavra “PEQUES”, a alcunha do casal.

A Pilar usou brincos que pertenceram à bisavó, passaram para a avó, depois para a mãe e, por fim, para si, assumindo-os como o seu “something old”. No ramo levou também uma medalha da mãe, oferecida pela madrinha espanhola, com a inscrição “Que ella te guíe”, que foi o seu “something borrowed”.

O ramo foi decidido na véspera do casamento, numa ida à Praça de Cascais com a mãe. Sabia apenas que queria cor e nenhuma flor branca. Juntas construíram um ramo com rosas verdes, amarelas e cor de rosa seco, complementado com alguns ramos de verde.

O Manel escolheu um fato de linho no António dos Fraques, em Alvalade, que depois mandou ajustar à medida num costureiro em São João do Estoril. O fato foi oferecido pelas suas duas irmãs, que o acompanharam em todas as provas. Para completar, usou sapatos da marca espanhola Glent e botões de punho em prata, com dois leões, da Leitão & Irmãos, oferecidos pelas suas irmãs e cunhados quando fez 30 anos.

A cerimónia realizou-se na Herdade do Peru, também conhecida na família como Casa Grande, situada dentro da Quinta do Peru, um espaço com forte ligação familiar do lado do pai da Pilar. O terreno foi comprado pelo bisavô, que construiu a casa, hoje pertencente a um dos ramos da família. Apesar de inicialmente considerar um casamento pequeno, a decisão acabou por recair sobre este local, onde a Pilar passa tempo desde criança e onde parte da família vive. A escolha teve também em conta a comodidade para os convidados, já que a cerimónia, o cocktail, o almoço e a festa aconteceram todos no mesmo sítio, em zonas diferentes. A cerimónia decorreu debaixo do pinheiro-manso, numa zona da casa com sombra e vista para a Serra.

A cerimónia, de carácter não religioso, foi pensada para ser íntima e descontraída. A entrada da noiva foi feita com o pai, num jeep Willys azul, ao som de “Belle Histoire”, com várias paragens ao longo do percurso até ao altar para cumprimentar convidados.

A sequência dos discursos começou com o Manel, seguindo-se a mãe da noiva, um padrinho, uma madrinha, o pai do Manel e, por fim, o pai da noiva. A irmã mais velha do Manel, a Isabel, assumiu o papel de mestre de cerimónias. Entre os convidados, formaram-se duas “equipas”: a Team Discurso da Mãe da Noiva, centrada num discurso sobre as personalidades da Pilar e do Manel e sobre a forma como são diferentes e complementares e a Team Música do Pai da Noiva.

Neste último momento, o pai da noiva adaptou a letra da canção “You’ll Be In My Heart”, Phil Collins, para português, imprimiu-a e distribuiu-a pelos convidados, que cantaram em conjunto. “O meu pai trata-me por Pintas e dizia sempre “Pintas, não se preocupe, tenho uma surpresa preparada para o discurso, não vou poder falar porque começo a chorar, mas não se preocupe vai correr bem”, nunca imaginei que fosse cantar!”

O cocktail decorreu na zona da relva, com vista para a serra, e permitiu que os noivos tirassem fotografias com a família. A noiva adora animais (até teve o seu cão, o Sr. Zito, presente durante os preparativos) e numa das visitas à quinta, a mãe da noiva viu um rebanho a atravessar a relva e perguntou se o pastor poderia passar com as ovelhas durante o cocktail, o que acabou por acontecer no dia.

O almoço decorreu sem lugares marcados para a maioria dos convidados, à exceção dos mais velhos, e não houve mesa dos noivos com padrinhos e madrinhas. A disposição foi pensada para permitir que a Pilar e o Manel circulassem pelo espaço e partilhassem tempo com diferentes pessoas ao longo da refeição, tendo almoçado em várias mesas. “Acabámos por almoçar em pelo menos dez mesas diferentes”.

O catering ficou a cargo da Prime. O almoço contou com estações de showcooking, incluindo risotto de espargos e massa preparada dentro de uma roda de parmesão, além de uma mesa de buffet com rosbife, ceviche de garoupa e acompanhamentos. Houve também uma mesa de queijos e sobremesas, que, segundo os noivos, foi muito elogiada.

Viver em Madrid implicou organizar grande parte do casamento à distância. A preparação contou com o apoio constante das famílias: a mãe da Pilar, decoradora, acompanhou as decisões relacionadas com a decoração, o pai esteve envolvido na escolha de fornecedores e na logística e os pais do Manel, que tinham organizado os casamentos de duas filhas nesse mesmo ano, apoiaram todo o processo. A coordenação do dia ficou a cargo da wedding planner Luísa Santos.

A decoração foi pensada a partir de elementos comprados pela mãe da noiva na Maison et Objet, em Paris, nomeadamente jarras com figuras de animais de campo (raposas, ovelhas, burros e javalis) usadas como centros de mesa, algumas das quais acabaram por ser vendidas a convidados. O casamento decorreu num jardim, sem necessidade de tenda, o que permitiu manter a decoração contida, complementada por alguns arranjos florais. O serviço de pratos, as toalhas de mesa e os arranjos ficaram a cargo do Amor e Lima.

Os convites do casamento foram digitais e preparados pela própria Pilar no Canva, incluindo um detalhe pessoal, o Sr. Zito, e uma aguarela da fachada da quinta. O grafismo da disposição das mesas para os convidados mais velhos foi desenvolvido em conjunto com a mãe da noiva. A inspiração veio de um casamento em Sevilha, onde o seating plan era uma colagem com fotografias de pratos, animais e legumes, aplicados numa porta antiga.

Depois do almoço, os noivos contaram com a banda Crazy Eighties e o DJ Hugo Castanheira.

As fotografias são da autoria do La Dolce Vita.

Outras histórias na mesma região:

Casamento da Carolina e do Tomás

Casamento da Maria e do Afonso em Óbidos

Casamento da Diana e do Pedro na margem