

Conheceram-se há vinte anos, no primeiro dia de aulas do 7.º ano, mas passadas duas semanas a Inês trocou de turma e mais tarde acabaram em escolas diferentes. O grupo de amigos mantinha-se o mesmo e já eram amigos próximos, até que… “numa noite de São João, há 13 anos, o Miguel declarou-se, algo que pelos vistos toda a gente à minha volta sabia, menos eu”. Hoje conto-vos a história do casamento que esta declaração originou.

Enquanto se preparava, a Inês utilizou um vestido e calçado da Zara. A maquilhagem ficou a cargo da Elisabete Santos e o cabelo da Carolla Mello.




Os sapatos da Inês tiveram um processo longo. Inicialmente, a noiva mandou fazer uns à medida numa loja no Porto, que não foram entregues na data combinada para a prova do vestido e cuja cor acabou por ser diferente da escolhida. A um mês do casamento, já com a bainha do vestido feita, procurou sapatos com a mesma altura e encontrou um par da Prada, encomendado online. Na semana anterior ao casamento, reparou que chegaram danificados, mas conseguiu resolver a situação na loja, em Lisboa, durante a semana do casamento.

O anel de noivado foi mandado fazer pelo Miguel na ourivesaria Miguel Vaz Almada, no Porto. O desenho foi pensado em conjunto e integra safiras de Ceilão, uma escolha que o Miguel queria desde o início. As alianças foram feitas na Julieta.


Depois de visitar várias estilistas em Lisboa e Madrid, a Inês marcou uma prova na Tba Brides após saber que, a partir de 2025, a marca deixaria de fazer vestidos por medida, passando a trabalhar com uma coleção prêt-à-porter composta por vestidos e peças soltas, conjugadas à escolha da noiva. Apesar de inicialmente pretender um vestido totalmente à medida, decidiu ainda assim visitar o atelier, por já conhecer o trabalho da Tba Brides e por procurar um vestido com movimento, camadas, diferentes tecidos e um visual vintage, evitando um branco totalmente uniforme. No atelier, escolheu uma saia e uma parte de cima específicas, às quais foram acrescentadas mangas e alguns detalhes.





O Miguel acompanhou as idas a Madrid para as provas, algo que, segundo ele, foi “a melhor parte da preparação do casamento, ir a Madrid aos fins-de-semana”



Os brincos, a gargantilha e os ganchos de cabelo usados mais tarde, quando soltou o cabelo, são da Fiorire.





O ramo foi feito por uma florista no Porto, a mesma responsável pelos arranjos das mesas. A seleção das flores partiu de uma proposta construída pela própria Inês, que reuniu no ChatGPT as flores de que gostava. Para o ramo, usou como referência um arranjo de mesa visto no Pinterest, pedindo que fosse reproduzido em formato de ramo, com gerberas e cempasúchil.



O bordado da fita do ramo ficou a cargo da irmã do Miguel e o do leque nas mãos de uma madrinha – “os símbolos eram a data do casamento; as uvas, um elemento principal na decoração e com o qual eu tenho ligação porque o meu pai e avós são do douro e produzem vinho; o sol, porque eu queria muito um dia de sol; as estrelinhas eram pelas pessoas que já não estão cá e o brinde era um brinde a nós!”




O fato do noivo foi feito na Meia Medida. Segundo o Miguel, trata-se de “um sítio que é impossível não gostar pela simpatia e profissionalismo da Celeste”. Os sapatos também foram da Meia Medida. A gravata foi adquirida numa das idas a Madrid, na Sastrería Prats. Os botões de punho são da Miguel Vaz Almada e o relógio do Marcolino foi oferecido pelos avós.



Pela proximidade à quinta, os noivos elegeram a Igreja de São Martinho de Soalhães – “Faz parte da rota do românico e era a mais bonita da zona”. A missa contou com os Meninos do Coro, aos quais se juntaram quatro amigos dos noivos. Uma das madrinhas cantou a entrada da noiva a solo, com a música “Disfruto”, da Carla Morrison.




Um amigo dos noivos desenhou o save the date e as capas dos missais.








O copo-d’água teve lugar na Casa de Quintã. A primeira visita aconteceu duas semanas depois do pedido de casamento, motivada por algumas fotografias que a noiva tinha visto anteriormente e que lhe tinham ficado na memória. Apesar de terem visitado várias quintas até uma hora do Porto, a Casa de Quintã destacou-se como o espaço mais bonito de todos. O casal quis um casamento ao ar livre, com mesas corridas e a quinta pareceu o cenário ideal para concretizar essa ideia.





No planeamento do casamento, houve uma preocupação constante com o tempo, já que a noiva sonhava com um casamento ao ar livre e mesas corridas. O casal fechou uma tenda com um fornecedor que permitia decidir apenas uma semana antes se queriam uma tenda grande transparente ou uma tenda berbere mais pequena só para a pista de dança. A meteorologia dava chuva até quarta-feira e depois sol até domingo, com 0% de probabilidade de precipitação, o que gerou dúvidas entre familiares e amigos, incluindo o próprio Miguel. Na quinta-feira anterior ao casamento, durante uma visita ao espaço, estava a chover e a dona da quinta sugeriu utilizar uma tenda do casamento anterior, uma vez que não havia espaço suficiente dentro de casa para todos os convidados sentados à mesa.
Os noivos mantiveram a decisão de arriscar e seguiram a oração de Santa Clara que a mãe da Inês lhes tinha dado. No dia do casamento, acordaram com um dia de sol e o tempo manteve-se exatamente como tinham imaginado. Como precaução, tinham comprado mantas para o caso de arrefecer à noite, que mais tarde ofereceram à igreja como forma de agradecimento.


Apesar de a decoração ser habitualmente assegurada pela equipa da Casa de Quintã, com vasto material próprio e coordenação da Maria Manuel e da Catarina, os noivos optaram por idealizar todo o cenário à sua maneira. As cadeiras, os pratos e os copos foram alugados a diferentes fornecedores e as toalhas escolhidas pessoalmente após várias visitas a lojas de tecido. Todo o processo contou com a total disponibilidade, flexibilidade e acompanhamento da equipa da quinta, que colocou os seus recursos ao dispor e assegurou a montagem de tudo o que tinha sido idealizado.
Para as flores e arranjos de mesa. tal como para o bouquet, a Inês utilizou o ChatGPT para simular a montagem e a combinação com flores, frutas e legumes que gostava. Depois, contratou a Menez para coordenar os arranjos exatamente como tinha idealizado. O mesmo processo foi seguido para o estacionário, em que a simulação serviu de referência para a Aqua by Pi com M replicar o que pretendia.












Durante o jantar, o Miguel comoveu os presentes com um discurso de três páginas.

Para o momento do bolo, os noivos elegeram um tiramisù gigante, a sobremesa preferida de ambos, preparado na cozinha da quinta, seguindo a receita e com a coordenação da irmã do Miguel, que esteve presente no dia anterior a acompanhar todo o processo.





As fotografias deste artigo são dos espanhóis Plata Forma e os noivos contrataram também o Bruno Guimarães.




Apesar de não terem contado com uma wedding planner, a Inês e o Miguel foram persistentes e atentos a cada detalhe, acompanhando fornecedores e decisões à distância e conciliando com o trabalho e a vida em Lisboa. Este esforço permitiu-lhes transformar ideias complexas em realidade e concretizar o dia que sempre imaginaram. O conselho que deixam a outros casais é acompanhar de perto todo o processo, alinhar expectativas com os fornecedores e fechar tudo com antecedência, para garantir que o casamento decorre exatamente como planeado. O resultado final é a prova de que insistir, persistir e não desistir valeu a pena.
