Em primeiro, a amizade – Parte I

Casamento da Mafalda e do Manel

Estou a começar a partilhar os primeiros casamentos de noivos que acompanharam o Chez Godias desde o início do seu noivado, o que significa que agora vos mostro casais que se deixaram inspirar por este projeto e eu não poderia estar mais contente. Quando fiz o convite para partilhar a história da Mafalda e do Manel, a noiva partilhou comigo que “esta página começou quando fiquei noiva e sinto mesmo que “acompanhou” o meu noivado todo. Foram várias as dicas e inspirações que usei (mesmo!) e se conseguir fazer o mesmo por alguém fico muito feliz!”

A Mafalda e o Manel conheceram-se na faculdade, no curso de Engenharia e Gestão Industrial do Técnico. Não há um momento exato em que tudo começou, mas rapidamente se tornaram bons amigos – daqueles que nos dias em que a Mafalda não tinha vontade de estar atenta se procuravam nas aulas para conversar e rir. 

A Mafalda era a aluna aplicada, o Manel o rapaz descontraído e perspicaz. Entre apontamentos trocados e conversas sem importância, foram percebendo que formavam uma boa dupla: equilibrados, cúmplices e com o mesmo sentido de humor. Durante a licenciatura, a amizade manteve-se leve e dentro dos corredores da faculdade.

Foi só quando seguiram caminhos diferentes no mestrado que a amizade se tornou mais sólida. Ambos fizeram intercâmbio na América do Sul, com fusos horários semelhantes e rotinas parecidas. Mantinham-se em contacto com chamadas enquanto cozinhavam e chegaram mesmo a encontrar-se por lá. Quando regressaram a Portugal, já havia uma ligação forte e natural. Cerca de um ano depois, a Mafalda marcou um copo com o Manel para lhe dizer que sentia que “os dois tinham potencial para criar uma coisa bonita”. Foi recíproco. E mesmo com o confinamento a começar logo de seguida, nem a distância virtual travou o que se estava a construir.

A Mafalda preparou-se juntamente com alguma família próxima e as suas madrinhas. A noiva confiou o cabelo à Bárbara do Hair Lobby, cabeleireira da família há mais de 10 anos. A maquilhagem ficou a cargo da Mariana Cruz, cuja abordagem natural e descontraída conquistou totalmente a noiva.

O anel de noivado tem assinatura Luiz Ferreira.

Depois de ver uma tia com uns “brincos compridos de pérolas dançantes”, a Mafalda mandou fazer um par para o seu grande dia – “Os brincos ficaram lindos de morrer e amo-os!”. 

Os noivos fizeram as alianças num workshop com ouro da mãe do Manel, mas o processo não correu tão bem como previam. Desde atrasos sucessivos até falhas de comunicação, acabou por ser uma das experiências mais frustrantes da organização do casamento. A solução para as alianças passou por refazê-las noutro atelier, a Maison Simão, que cumpriu o prazo e garantiu um acabamento perfeito. 

Os sapatos foram feitos à medida no Atelier Fátima Alves, por sugestão de uma afilhada. A Mafalda procurava algo simples e clássico, com uma ponta fechada quadrada e salto largo. No entanto, ao experimentar outro modelo com salto fino e ponta bicuda, acabou por se render a essa opção. Foi uma escolha inesperada, mas certeira.

Para o seu vestido, a Mafalda só visitou um atelier: o da Susana Agostinho. Desde as provas de uma afilhada, percebeu que ali a noiva era realmente ouvida, que a Susana existia para servir a visão de cada mulher, sem impor fórmulas. “Não há um vestido ‘assinatura’, mas uma panóplia de vestidos, cada um mais diferente do outro e sempre a cara de quem os veste”. A Mafalda entregou-se ao processo com total confiança, sabendo que o profissionalismo e o olhar atento da Susana garantiriam tudo nos prazos. E mais do que isso: que seria divertido.

As primeiras duas provas foram momentos de puro brainstorming. A Susana começou por tentar perceber quem era a Mafalda e como pensava. Pediu para ver inspirações, o que a levou a mergulhar nos 374 posts de instagram guardados desde 2017. Depois, fez com que experimentasse peças e tecidos de todo o tipo, sempre atenta não só ao que dizia, mas às conversas paralelas com a mãe e irmã. “A Susana ama provocar e apanha tudo”. No fim da segunda prova, a Mafalda foi convidada a escolher uma peça para repetir e escolheu, sem hesitar, a saia com que acabou por casar: corte direito, sem grandes volumes, tom de pérola e uma textura que a fazia sentir-se “bem”.

A parte de cima ficou em caicai, como queria desde início, mas com uma reinterpretação fluída, larga e acetinada, ideal para dançar. Já a capa nasceu de um simples comentário – “preciso de qualquer coisa no pescoço” – e da recusa em usar véu. De forma improvisada, a Susana criou um retângulo leve e transparente que saía dos pulsos e se movia com o corpo – “o meu morceguinho”, como a Mafalda lhe chama, por parecer ter asas.

“O bouquet da minha avó materna foi uma única magnólia branca, linda e majestosa e a minha avó sugeriu que eu levasse também”. Na altura, a Mafalda rejeitou a ideia por querer levar girassóis, flores “grandes e felizes”. “Ao longo do tempo os girassóis começaram a parecer demasiado ‘amarelos’ e a ideia da magnólia começou a crescer e muito em mim. As magnólias são muito raras e desabrocham quando querem.”

Como não foi possível arranjar nenhuma a tempo, a Mafalda, inspirada pelo ramo de uma noiva Chez Godias, avançou com um plano alternativo.

“Teve graça porque depois na nossa Lua de Mel, num dos 3000 lindos jardins japoneses que fizemos por visitar, tropeçámos numa árvore cheia de Magnólias! Aparentemente era só ir ao Japão buscar uma.”

Para além de um fato à medida, o Manel levou botões de punho oferecidos pelas suas professoras da primária aos 18 anos, sapatos da Citadin Shoes, gravata da Wicket Jones e uma lapela da Catarina Sampaio Soares

A cerimónia teve lugar na Igreja São João Baptista, do Lumiar, a cerca de 35 minutos da quinta.

As fotografias analógicas ficaram a cargo dos amigos e as digitais foram tiradas pelo Filipe Cabreira.

A cerimónia, acompanhada por um coro formado por amigos, correu como sonharam. Já a decoração… exigiu atenção redobrada. Conto-vos tudo na Parte II.

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