

A Marta e o Tó conheceram-se num lar, ou pelo menos é assim que gostam de começar a contar a sua história para efeitos de suspense e curiosidade. Em 2020, semanas antes de a pandemia chegar a Portugal, participaram durante uma semana na Missão País, no Lar da Barreira, em Leiria. Foi nesse lar que se conheceram.
Na semana seguinte tiveram o primeiro encontro “demasiado original”, como o Tó gosta: um percurso pelos miradouros mais bonitos de Lisboa enquanto ouviam um guia falar sobre os maiores assassinos da cidade. Seguiram-se meses de quarentena, marcados por chamadas frequentes, até começarem a namorar. A relação durou cinco anos antes do noivado, em dezembro de 2024.
Uma curiosidade sobre estes noivos é que, em vez de oferecerem ovos tradicionais às clarissas para pedir bom tempo no casamento, como fizeram a Luisinha e o João, levaram ovos moles, algo que dizem ter resultado.


“O meu vestido ficou a cargo da Joana Montez. A primeira (e única!) estilista que visitei. Fiz muito pouco trabalho de casa: queria ir de mente aberta ao que tivesse para me propor. Ou seja, não fazia ideia do tipo de vestido que queria. Queria algo clássico, simples. Gostava de rendas, não sabia muito bem onde. Tinha em mente alguns pormenores que gostava, mas pouco mais.”



“Na primeira conversa, em vez de desenhar num papel, deu-me a experimentar várias peças e formatos diferentes, para perceber o que eu gostava. Gostei tanto dessa tarde e da Joana, que cancelei as restantes visitas que tinha marcado! E, desde o primeiro dia, tinha o vestido já “pronto”. Faltava só costurá-lo. Não mudei uma única ideia, desde esse dia e até ao final do processo do vestido!”


Na preparação da noiva, a maquilhagem ficou a cargo da Tita Oom, amiga do casal há vários anos, e o cabelo foi feito pela Alexandra Alves, tia da noiva, responsável pelos seus cortes de cabelo desde que nasceu.



A noiva usou sapatos Rui Branco, que a acompanharam ao longo de toda a tarde e noite, durante as quais dançou continuamente. Os brincos e os acessórios de cabelo eram da Carolina Curado e foram oferecidos pela mãe da noiva. O ramo, tal como as restantes flores do casamento, ficaram a cargo da Bella Florista.


Pausa na história para elogiar as fotografias da Rita Gazzo e transcrever a opinião dos noivos: “É uma pessoa super tranquila, muito simpática, e que passou muito despercebida mas com atenção a cada detalhe! As fotografias ficaram épicas”.





O noivo usou um fraque da Labrador, combinado com um colete feito à medida na Alfaiataria Ribatejo. Calçou sapatos da marca Brett & Sons, comprados online, e levou botões de punho oferecidos pela madrinha quando fez 18 anos.


A gravata exigiu uma procura demorada, já que o Tó gosta de padrões com bonecos pequenos. Escolheu uma gravata italiana verde, com pequenas flores amarelas e brancas cosidas à mão, da marca Petronius 1926, encomendada na loja Galise. Os padrinhos usaram gravatas suas, com padrões variados e cores diferentes.



As meias com bonecos, habituais no seu guarda-roupa, foram também destaque: encomendou 120 pares personalizados da Chulé, número mínimo de encomenda, com a inscrição “lugar para mais um” e ilustrações que retratam a história do casal até ao casamento, distribuídas por amigos.


A cerimónia realizou-se na Igreja da Misericórdia de Coruche, terra onde o Tó cresceu e onde o casal passou muitos fins de semana juntos. A escolha deveu-se também ao facto de ser uma das igrejas mais bonitas da região, especialmente após as obras de renovação. O coro foi composto por um grupo de amigos.






O Tó comprou o anel de noivado e, posteriormente, as alianças numa ourivesaria no rés-do-chão de um prédio na Graça, recomendada por outra ourives. Por coincidência, era a mesma onde os pais compraram as suas alianças, a Raul Ferreira e Mário, amigo de longa data dos avós.



“Detalhes foi o nome do meio do nosso casamento! Temos muitas histórias mas gostavamos de partilhar quatro:
1. O Pão: o tema central do nosso casamento foi o pão. Quando pensávamos sobre o que queremos do nosso casamento, surgiu a missão “que em nossa casa haja sempre lugar para mais um”. Nesta missão, a mesa tornou-se muito especial, como um lugar concreto onde gostamos de mostrar este acolhimento – recebendo amigos, família, conhecidos e desconhecidos à mesa. Na mesa não pode faltar este Pão. O pão que sacia sempre, e que pode ajudar a que uma refeição para 2 passe a render para 3, 4 ou 5! Sempre para mais um. Com este tema do pão, aproveitamos para dar mais sentido à missa. Nos meses de noivado oferecemos à nossa família e aos padrinhos e madrinhas saquinhos com sementes de trigo. Lançamos o desafio de irem pensando no nosso noivado, ajudando na nossa preparação e rezando por nós. Cada vez que o faziam, passavam uma semente de trigo para outro pote. Perto do casamento, recolhemos essas sementes “rezadas” e fomos às clarissas pedir que fizessem as hóstias do casamento. Portanto, no nosso casamento, o pão que todos comungaram teve a mão e oração das pessoas mais próximas que nos ajudaram a preparar aquele dia!
2. O Cálice e a Patena: durante a preparação do dia do casamento, os nossos padrinhos e madrinhas ofereceram-nos uma aula de cerâmica com um objetivo – sermos nós a fazer o cálice e a patena (aquele pequeno prato) que o padre iria utilizar durante a missa. Assim foi. Fizemos um cálice e patena com cerâmica branca, com a preciosa ajuda e paciência da Constança Pinto Gonçalves, e colocamos pequenos detalhes com sentido: na patena uma espiga de trigo pintada de amarelo, e na base do cálice uma série de “raízes” pintadas cada uma de uma cor, que nos foi dada por pessoas que são raízes, suportes na nossa vida (pais, irmãos, padrinhos e amigos).”





O copo de água realizou-se na Herdade da Agolada de Cima, também em Coruche, escolhida por ser próxima da Igreja da Misericórdia e por oferecer espaço e condições para acomodar os 250 convidados. O catering foi assegurado pela Quinta da Taipa.

Quanto ao estacionário, os convites foram desenhados pelos próprios noivos e todos os restantes elementos ficaram a cargo de duas amigas: a Mafalda Roque tratou dos missais, menus e das meias, enquanto a Carolina Pires foi responsável pelos marcadores de lugar e pelos cadernos para as crianças pintarem durante a missa. As mães e as madrinhas ficaram responsáveis por colocar os lenços minhotos no carrinho onde dispuseram a distribuição de lugares.



“3. Os Viras: não tivemos banda no casamento. Por um lado, foi uma opção económica, por outro foi a oportunidade de ter durante o cocktail mais um momento com sentido: uma aula de viras. A família do Tó tem uma ligação muito forte ao Minho, os pais conheceram-se num rancho de viras minhotos em Lisboa, e o avô continua a dar aulas de viras na capital. Do lado da Marta, metade da família também é de Braga. Durante o verão, em todos os anos de namoro, a Marta e o Tó foram às festas de Ponte de Barca e aprenderam a dançar viras juntos. Por isso, depois de 1 hora de cocktail, o Senhor Abreu, amigo de longa data da família e parceiro das festas da Barca, foi buscar a sua concertina, e todos no casamento dançaram umas 5 danças tradicionais minhotas com os noivos! Foi muito giro!”





As toalhas e cadeiras brancas foram alugadas à Festas e Sonhos.


Para o momento do bolo, os noivos tiveram umas miniaturas de “charutos”, um doce típico do Minho que tem hóstias e doce de ovos. “Cumpria todos os requisitos: não tinha chocolate (a Marta não gosta), dava para comer com as mãos e não precisávamos de congelar para comer um ano depois (acabou tudo na noite).”

“4. As Sobremesas: na lógica de ter sempre lugar para mais um, pedimos a alguns familiares que participassem de forma especial no casamento trazendo sobremesas que marcaram a nossa infância e o nosso namoro. Tivemos avós, tios, tios-avós e amigos a trazer iguarias que encheram a mesa das sobremesas, todos com um cartão com o nome e a explicação daquela sobremesa! Foi mesmo bonito ver que toda a gente se disponibilizou a fazer parte e a colaborar de forma tão próxima no casamento, mesmo com o desafio logístico de fazer sobremesas nas vésperas de um casamento, que naturalmente já tem logísticas que cheguem!”


