

Se há nome que surge com frequência quando se fala de DJ’s de casamento em Portugal é o “Ximpa”. Por trás da Melomania está quem muitos já conhecem das pistas de dança, num percurso que começou muito antes de existir um projeto com esse nome.

O nome Ximpa surgiu de forma espontânea quando um amigo simplesmente disse: “A partir de agora, és o Ximpa!”. A ligação à música começou em casa: “para músicas de embalar, o rádio do meu pai, que eu tinha no quarto, tocava três cassetes – Doors, Bruce e a banda sonora do musical “Phantom of the Paradise”.” O Miguel Barbosa Viana, mais conhecido por Ximpa, cresceu rodeado de música, com “prateleiras, sacos, caixas e gavetas cheias de CD’s espalhados pela casa” e com o hábito de observar o pai a escolher músicas para animar as festas quando recebiam convidados.

Esse contacto constante traduziu-se numa relação abrangente com diferentes géneros – “ouvi e dancei tudo: rock, pop, house, hip-hop, drum’n’bass, techno, jazz, disco e funk.” Esta experiência acumulada deu lugar a uma base musical alargada, com o objetivo de “ser capaz de oferecer música para todos os gostos e feitios”.
O primeiro casamento surgiu aos 17 anos, “desde aí que não parei e quando dei por mim estava a tocar em 70 eventos por ano, a maioria casamentos.” Há seis anos criou a Melomania, após 14 anos de experiência. Atualmente, o projeto conta com três DJ’s – “Eu, o Djohny e o Vasco” – e a intenção é continuar a crescer, mantendo critério na seleção de DJ’s.


“Ser DJ em casamentos não é o mesmo que ser um DJ em discoteca.” A função passa por se adaptar constantemente: “um DJ de casamentos tem de saber tudo, tem de conseguir adaptar-se a todos os gostos.” Como exemplo, refere um casamento inteiramente dedicado ao metal, ajustado à vontade dos noivos e convidados. “O público de um casamento não foi ali para nos ver tocar, foi para se divertir, dançar e celebrar o novo casal”, explicando que o objetivo principal é “a pista estar sempre cheia”.

O contacto com os noivos começa, idealmente, com antecedência. “Normalmente começamos a aceitar pedidos em junho do ano anterior ao casamento”, sendo que a agenda tende a preencher-se a partir de setembro. Ainda assim, reforça que podem entrar em contacto mesmo fora desse período, uma vez que a equipa está em crescimento.
Quanto ao processo, inicia-se com a verificação de disponibilidade e escolha do DJ, bem como a definição do serviço, com diferentes opções de packs. Após adjudicação, e já mais perto da data, realiza-se uma reunião para alinhar detalhes, na qual “os noivos partilham connosco as suas preferências musicais, que músicas querem em momentos específicos, que músicas não querem ouvir e que músicas são obrigatórias de passarem.” Podem recorrer a playlists ou apenas indicar estilos de referência. Nesse momento, são também abordadas questões logísticas e de timings.


O serviço mais completo da Melomania foi pensado para simplificar o processo para os noivos: “uma espécie de “chave na mão””, incluindo sistema de som para o cocktail, com ou sem DJ, e sistema de som e iluminação para a pista, com microfone incluído para discursos. O limite horário, quando existe, aplica-se apenas ao tempo de pista de dança.

Quando questionado sobre escolhas musicais para momentos específicos, o Ximpa recorreu às opções do seu próprio casamento. Para a entrada no jantar, “Atlantis”, de Donovan, para a abertura de pista ou primeira dança, “Simple Man” de Graham Nash, para o corte do bolo, “Alegria (Yuksek Remix)” de Elia & Elizabeth e para a última música da noite, “Outro” de M83. No que diz respeito a músicas que sejam sempre um sucesso na pista, elege “Dog Days Are Over” de Florence and The Machine e “Shine on Me” de Praise Cats.


Ao longo dos anos, o Ximpa acumulou inúmeras histórias como DJ, reflexo da posição que ocupa durante os eventos: “Os DJ’s são os últimos a sair e por isso veem tudo.” Ainda assim, deixa essas histórias em aberto: “Ficamos à espera do podcast Chez Godias para as contar!”