No meio do caos

Casamento da Catarina e do Francisco no Sardoal

O Francisco e a Catarina não ficaram na mesma mesa, mas passaram horas à conversa na altura da festa, depois de o Francisco ter elogiado o conjunto que a Catarina levou e ter ficado surpreendido por ter mais de 30 anos, uma vez que era da mãe. Falaram durante cerca de duas horas, até que algumas amigas da Catarina tentarem intervir para salvá-la de “um desconhecido que não se calava”. Sim, desconhecido. Este episódio não foi no casamento sobre o qual vos escrevo hoje, mas sim naquele em que estes noivos se conheceram, de uns grandes amigos em comum.

“O pedido de casamento aconteceu exatamente onde começámos a namorar, em 2023, numa falésia da Praia das Maçãs. O plano inicial era um sábado de sol, tranquilo, perfeito, mas como rapidamente o Francisco aprendeu desde o início que é a Catarina quem manda, ela recusou-se a ir nesse dia porque tinha compromissos. Fomos no dia seguinte. E esse “dia seguinte” decidiu ser um dos mais tempestosos de 2023. Mesmo assim, não houve plano B. No dia 26 de janeiro de 2025, fomos até à falésia, no meio da lama, com rajadas de vento fortíssimas, completamente encharcados e sem guarda-chuva. Houve momentos em que o vento quase levou o casaco do Francisco, precisamente o casaco onde estava o anel. O Francisco leu uma carta que se foi desfazendo com a chuva. E ali, no meio do caos, (que é um bocadinho do que nós somos) ficámos noivos.”

Para o vestido, a Catarina elegeu a Plissê – “não houve grandes dúvidas, é o atelier com o qual mais me identifico. A Madalena Braga foi impecável e ficámos logo a dar-nos super bem.”

A premissa era integrar bordado da Madeira no vestido, uma vez que o noivo é da ilha. “Com viagens entre o continente e a Madeira, o bordado foi feito [por uma senhora que trabalha para a avó do Francisco] e aplicado no véu”.

A Catarina levou um vestido base totalmente feito a partir da saia do vestido da sua mãe. Por cima deste, levou para a cerimónia e para o cocktail um segundo vestido com um tecido drapeado.

Como acessórios, a Catarina levou uns sapatos verdes Bibi Lou – “comprei na Vinted a menos de metade do preço original, estavam novos!” -, uma gargantilha da bisavó Maria da Encarnação e uns brincos e pregadeira comprados pela mãe na Ourivesaria Narciso, curiosamente o mesmo espaço onde a noiva furou as suas orelhas aos seis anos.

O bouquet foi feito na véspera pela própria noiva, a mãe e a tia com antúrios verdes, típicos da Madeira, trazidos diretamente pela mãe do noivo.

O anel de noivado foi desenhado pelo Francisco em conjunto com a Mafalda, da Mafalda Girão, com a intenção de criar uma peça “fora da caixa”, mas clássica. Os botões de punho, oferecidos pela Catarina, também da Mafalda Girão, incluíam a mesma pedra do anel, criando uma ligação entre ambos.

O Franciso levou um fraque oferecido pela avó, feito na Carlo Viscontti, juntamente com uns sapatos que já tinha de outra ocasião e uma gravata de seda comprada na Vinted.

Como o copo-d’água seria na Quinta da Nossa Senhora das Graças, no Sardoal, uma propriedade particular da família da Catarina onde o casal passa férias todos os verões, a cerimónia realizou-se na Igreja de Santa Maria da Caridade, situada a cerca de cinco minutos da quinta.

A noiva entrou na cerimónia ao som de “Abri as Portas a Cristo”, tema interpretado por um coro organizado pela irmã da Catarina, a Inês, que reuniu amigos e profissionais, com acompanhamento de violino, trompete e órgão.

Os noivos optaram por ficar com alianças de familiares: a aliança do Francisco pertenceu ao avô Manuel e a da Catarina à avó Augusta, tendo sido apenas polidas e ligeiramente ajustadas na Sofia Canas da Mota Joalharia.

Os arranjos da cerimónia ficaram a cargo da florista Rosa Chá.

A cerimónia religiosa foi pensada como o centro do dia, sendo celebrada pelo Padre Jorge, amigo de longa data do casal, o que contribuiu para um momento personalizado e alinhado com o que consideravam mais importante.

A organização do casamento esteve a cargo da 3vents, com a Isabel Ribeiro de Almeida. A decoração foi pensada pela Catarina, que desenvolveu os moodboards e preparou os arranjos florais para as mesas do buffet em conjunto com a sua mãe e com a Isabel.

Todo o design do estacionário foi desenvolvido pela noiva. O missal foi desenhado a tinta da china, representando a passagem das Bodas de Caná, associada ao evangelho da cerimónia. O menu foi também criado pela Catarina, com uma ilustração que representava o casal, enquanto cada mesa recebeu o nome de uma planta endémica da Madeira, trabalhada através da técnica de cianotipia, realizada pelos noivos. O seating plan foi executado pelo irmão e pela prima da Catarina, num suporte de madeira com pratos fixados, em que cada prato correspondia a uma mesa. Como oferta aos convidados, foram criadas bananas em faiança feitas à mão pelos noivos, numa referência à ilha da Madeira.

A Catarina, já apenas com o vestido base feito a partir do tecido que a mãe utilizou no seu casamento, entrou com o marido e amigos na tenda ao som de “LA Calling” dos Crystal Fighters.

O catering, assim como o bolo dos noivos, ficou a cargo da Encontrus.

Para a noite, tal como no cocktail, os noivos elegaram o Cross Louie, que meteu as músicas “Danúbio Azul”, de Johann Strauss, e “O Que É O Que É?”, de Gonzaguinha, como primeira e última da pista, respetivamente.

“A nossa fotógrafa, Vera Moser, foi escolhida logo no início, foi o primeiro fornecedor a ser escolhido porque gostamos imenso do estilo autêntico e do facto de dar imenso valor aos pormenores, fotografa imensos pormenores da noiva e do noivo que nós valorizamos muito.”

Durante os preparativos, os noivos optaram por ter amigos a fotografar nas suas casas: a Carol Lancelloti na casa da Catarina e a Maria Ramos na casa do Francisco. Para o vídeo, pediram a duas madrinhas que levassem as suas câmaras e filmassem ao longo do dia.

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