

A história da Bea e do Alfonso começou de forma inesperada, numa noite em que o WhatsApp deixou de funcionar e a Bea, aborrecida em casa com as amigas, decidiu instalar o Tinder. Fez match com o Alfonso, trocaram duas frases e apagou a aplicação logo a seguir. Mas ele não desistiu: passou meses a insistir por mensagem no Instagram até que, numa noite em que a Bea viu os planos com outra pessoa falharem, decidiu encontrá-lo. Estava com febre, não se arranjou, nem esperava grande coisa, mas desde esse dia nunca mais se separaram. A noite terminou com um teste de COVID positivo e o início de uma história a dois.

Sobre a maquilhagem e o penteado, a Bea confiou inteiramente na sua wedding planner, Sofia Freitas, que descreve como “simplesmente a melhor”. Sem referências concretas em Portugal, deixou-se guiar pelas sugestões da Sofia: o penteado ficou a cargo da Rita Correia Costa e a maquilhagem foi feita pela equipa da AMÊ Beauty.


O vestido da Bea foi desenhado pela Flor Fuertes, uma escolha que, sem saber, já estava tomada há muito tempo: quando voltou à sua pasta de inspirações após o pedido de casamento, percebeu que 80% dos modelos guardados eram da designer espanhola. Sempre se sentiu atraída pelos tecidos que a Flor escolhe, pela fluidez dos cortes e pela serenidade com que conduz todo o processo.



O vestido foi feito em seda natural, com um toque rústico e muito movimento, exatamente como a Bea imaginava. E foi também um projeto com grande carga emocional: levou à Flor peças de linho da sua avó – lençóis, cortinas, fronhas – para que fossem integradas no vestido, garantindo assim a sua presença simbólica.



O acessório principal foi uma mantilla muito antiga, de uma Virgen de Sevilla. Os brincos, umas dormilonas, foram emprestados por uma das melhores amigas da mãe da noiva.



“O anel de noivado foi comprado pelo Alfonso na Suárez. O mais engraçado é que eu sempre lhe disse que queria um anel vintage, de uma ourivesaria pequena – nada de grandes joalharias. Mas o Alfonso, como se pode ver, nunca me faz caso… e ainda bem! As alianças são de uma ourivesaria pequena em Valência.”


A noiva manteve-se fiel a si mesma: nunca usa saltos altos, por ser muito alta e prezar o conforto, e neste dia não foi diferente. Num cenário rústico e descontraído, escolheu umas alpercatas da Miboheme. Estavam esgotadas e só as conseguiu três dias antes do casamento, num modelo diferente daquele que tinha imaginado, mas a verdade é que resultaram muito bem.


O fraque do Alfonso foi feito à medida por amigos que têm uma alfaiataria. Usou uns sapatos Oxford pretos de atacadores da Crownhill, camisa da Suitsupply e botões de punho do pai. Tinha também intenção de usar um relógio do avô da Bea, que faleceu semanas antes, mas, com os nervos, acabaram por se esquecer.







Casaram-se na Igreja de Santo António, uma escolha que para a Bea era evidente desde o início pois era lá que costumava ir à missa em criança e onde fez a primeira comunhão. Como me confidenciou a noiva, quando o Alfonso conheceu o espaço, ficou imediatamente rendido, tal como os convidados, que não pouparam elogios aos azulejos da igreja.





O coro, oferecido pelas amigas da noiva, foi uma das partes mais emocionantes da cerimónia. Com a voz da Constança Horta e Costa e uma outra voz masculina, acompanhadas por guitarra e guitarra portuguesa, surpreenderam por completo os noivos, que só os ouviram pela primeira vez durante a cerimónia.

Os meninos das alianças levaram roupa da Gocco.



O ramo da Bea foi preparado na própria manhã do casamento. A irmã e uma amiga foram até ao mercado de Cascais, de onde trouxeram uma grande variedade de flores. O objetivo era criar um bouquet rústico e descontraído, com uma mistura espontânea. A fita que o envolvia foi oferecida pela amiga Teresa e trazia pendurada uma medalha do Anjo Miguel – “A verdade é que ficou ideal.”



O copo-d’água decorreu na Quinta de São Tadeu, um espaço que ainda não conheciam, mas ao qual ficaram rendidos: cancelaram todas as visitas que tinham agendadas e fizeram logo a reserva.

“O casamento também foi muito comentado pela parte musical. O Alfonso é louco por música. É a sua grande paixão, por isso teve um papel muito importante na festa. Para o cocktail, escolhemos um grupo de flamenco chamado “Cerrado por vacaciones”, que o Alfonso conhecia. São incríveis, super animados e divertidos.”



A decoração foi um dos elementos mais importantes e teve um envolvimento familiar muito especial. A mãe da noiva, que podem contactar através da Aguja y Lino, bordou os desenhos em todos os guardanapos dos convidados, assim como no seating chart e nos menus. A mãe do noivo, devido à sua caligrafia muito elogiada, escreveu o texto de todos estes elementos à mão.




O tema escolhido foram as flores e cada mesa representava uma flor diferente. Os guardanapos correspondiam à flor de cada mesa, num detalhe muito apreciado pelos convidados que, no final, os levaram para casa como recordação. A decoração contou ainda com o apoio da equipa da Tudo é Festa.






O catering ficou a cargo da Prime.



Para marcar a transição entre o jantar e a festa, os noivos prepararam uma surpresa: contrataram um grupo de mariachis. A escolha refletia o carinho de ambos pela cultura mexicana, especialmente do Alfonso, apaixonado por canções mexicanas, tal como muitos dos seus amigos.




Para garantir uma pista de dança sempre cheia, contaram com o DJ Ricardo Pavón, uma escolha segura para o Alfonso, que já o conhecia e admirava há muito tempo. E, para garantir que ninguém precisava de sair da pista para se alimentar, os noivos distribuíram hambúrguers do McDonald’s.

As fotografias ficaram a cargo da Francisca Noronha e o vídeo da Bokeh.



Para a Bea e o Alfonso, o dia do casamento foi, sem dúvida, o mais incrível das suas vidas e isso ganha ainda mais significado tendo em conta o ano profundamente difícil que atravessaram. Ficaram noivos em janeiro de 2024, mas poucos meses depois, em outubro, o pai da Bea adoeceu gravemente e acabou por falecer em novembro. Chegaram a ponderar cancelar o casamento, mas o apoio da família e a presença do padre Borja, que celebrou tanto o funeral como o casamento, ajudaram-nos a seguir em frente. Em abril, perderam ainda uma das melhores amigas da Bea, vítima de cancro, e quinze dias antes do casamento faleceu o avô. Apesar de tudo, decidiram celebrar o amor. Foi um casamento simples, muito emotivo e, ao mesmo tempo, cheio de alegria. Sentiram, em cada instante, que o pai da Bea, a Maria e o avô estavam com eles e que contribuíram para aquele dia soalheiro e perfeito.
