Se Macau fosse um vestido

Casamento da Carolina e do Duarte em Cascais

Desde que o Duarte saiu do colégio onde estudou a partir dos 10 anos que as visitas ao local são frequentes, apesar de viver em Londres. Quando o viam, alguns professores pediam-lhe que fosse às salas de aula falar com os alunos sobre o seu tempo de escola e sobre a vida profissional além-fronteiras. Numa dessas visitas, quando chegou à sala das Artes, estava a professora Carolina, com quem veio a casar depois de, curiosamente, anos mais tarde, a pedir em casamento nesta mesma sala de aula.

“Comecei a desenhar o meu próprio vestido de noiva, através do qual quis homenagear a minha primeira casa: Macau. Queria um vestido depurado mas cheio de significado pessoal: imaginava um tecido asiático como o mikado; desenhei um decote halter com uma gola chinesa e botões chineses; imaginei uma saia a direito e a mostrar um pouco dos sapatos, tal como as cabaias (cheongsam) chinesas.”

“Escolhi a Susana Agostinho para poder concretizar o meu vestido pois sentia que a Susana, para além da sua mestria, seria atenta à minha identidade. Cada vestido da Susana é único e espelha a personalidade de cada noiva. Estava um pouco nervosa a mostrar-lhe os desenhos pois não sabia como uma verdadeira designer reagiria a ver um desenho feito por mim, mas a Susana adorou! Para ela, era especial usar o desenho de uma noiva e, logo na primeira prova, já tinha o molde feito!”

Escolheram um tecido duro de mikado pérola que a Susana tinha no atelier e os botões vieram diretamente de Macau/Hong Kong, trazidos pela noiva.

Numa das provas, a estilista surpreendeu a noiva com uma seda chinesa shantung bordada com flores. Apesar de considerar muito bonito, a Carolina rejeitou a ideia num primeiro momento, até que a Susana simulou uma cauda e a noiva ficou rendida! Mais tarde, veio a perceber que as flores do vestido eram iguais às flores de cerejeira que a própria tinha desenhado em todo o estacionário.

Após hesitar um pouco sobre a hipótese de se maquilhar sozinha, uma vez que adora maquilhagem, a Carolina acabou por atribuir esta tarefa à Rita Correia, que apostou nuns olhos em tons bordô e roxo. Quanto ao cabelo, a Gorete – a sua cabeleireira de sempre – fez um penteado inspirado num nó japonês.

Os sapatos foram feitos pelo Rui Branco e o leque, com flores bordadas a fazer ponte com a cauda do vestido, pela Caeytana.

O ramo, composto por jarros brancos, foi feito por uma amiga de longa data, a Catarina Sampaio Soares.

Os brincos, já antigos, foram desenhados pela sua mãe em Macau, com pérolas chinesas – “Muito especial!”

A missa foi na Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Cascais, de onde é a família do noivo.

O Duarte teve direito a utilizar dois fatos no grande dia: um fraque que alugou para a cerimónia e um fato de linho bege, mais descontraído, para a noite.

Os noivos convidaram o Gospel Collective para acompanharem a cerimónia.

Da igreja para a Estufa – um espaço exclusivo da Tazte -, onde foi o copo-d’água, em Monsanto, os noivos foram num Morgan, “muito generosamente, emprestado por um amigo do Duarte e era o mesmo modelo que o seu pai tinha quando era vivo.”

“Conhecemos este espaço num casamento de uma amiga e ficámos encantados com esta estufa, moderna e transparente, perdida no meio da floresta em Monsanto.”

Todo o estacionário, pensado ao mais pequeno pormenor, foi desenhado pela própria noiva, a Carolina Branco, que é designer e ilustradora de profissão. Para vos explicar todos os detalhes ocultos, cito uma publicação de instagram da própria: 

  • Praia do Guincho em Cascais, o local preferido de Duarte
  • Mel, o cachorro querido da Carolina
  • Azeitonas, como representação de Portugal
  • Rosa Tudor, símbolo de Inglaterra, onde moramos
  • Desenho de linha clássico em estilo Arts and Crafts, representando Inglaterra
  • Jarra de Gengibre Chinês, símbolo de Macau
  • Nuvem da Mulan, representando a China e o gosto da Carolina em desenhar (referência à introdução do filme de Mulan)
  • Tangerina, borboletas e flores de cerejeira, representando a China
  • Primeiro logótipo do Colégio do Amor de Deus (um coração e uma cruz), o local onde nos conhecemos e onde o Duarte fez o pedido de casamento
  • Os dois anjos querubins com um Santini, o nosso gelado e sobremesa preferido
  • A pena de Forrest Gump, um dos nossos filmes favoritos com o nosso ator favorito Tom Hanks
  • Teatro, uma das nossas paixões e passatempos em Londres
  • Jazz, representando os pais do Duarte e o nosso amor pela música
  • Corais, representando o mar.

O catering foi servido pela Tazte, a decoração foi pensada pela noiva e pela Beatriz da Tazte, que também ajudou na organização do dia, juntamente com a colega Isabel e, por último, as flores foram responsabilidade da Graça O’Neill, com quem a noiva partilhou várias conversas sobre a paixão pelos jardins ingleses, o que resultou em arranjos em tons de verde e branco.

A primeira dança foi cantada pela cantora de jazz Maria Viana, que é mãe do Duarte e interpretou uma das suas músicas preferidas, “Moon River”, acompanhada por George Esteves no piano e Desidério Lázaro no saxofone. Mais tarde, a festa seguiu pela mão do António Cid.

As fotografias ficaram a cargo do Hugo Vidal, que também registou o dia da Beatriz e do Diogo, e da Teresa Freitas, a melhor amiga de infância da noiva. Quanto ao vídeo, elegeram o Martim Braz Teixeira, que aceitou o desafio de criar um vídeo não convencional “como se fosse uma memória, um sonho”.

Este casamento foi uma fusão perfeita de culturas e memórias, com cada detalhe cuidadosamente escolhido para refletir a história da Carolina e do Duarte. O vestido, inspirado em Macau, as flores, a decoração e até o estacionário, tudo contou um pedaço da sua história. Com um toque pessoal e significativo em cada escolha, este dia foi uma celebração memorável.

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