Family and friends affair

Casamento da Matilde e do António em Santarém

A Matilde e o António conheceram-se na escola, aos 14 anos, e rapidamente se tornaram melhores amigos. Em 2014, na transição para a faculdade, começaram a namorar e seguiram juntos todos os passos que se seguiram. Dez anos depois, em junho de 2024, o pedido de casamento aconteceu na Toscana, em Itália.

“A minha maquilhagem e cabelo foram feitos pela equipa da BeautyCall, que não só compreenderam na perfeição aquilo que gostaria como no próprio dia ajudaram a que a preparação fosse um processo completamente relaxado e divertido. Correu super bem!”

Durante os preparativos, a Matilde utilizou um conjunto da Énfasis, do El Corte Inglés, e mules encarnados da Zara.

O colar usado pela Matilde no dia do casamento pertence à coleção da mãe. Era um colar de pérolas oferecido pelos avós à mãe no dia do seu casamento e, na altura, tinha apenas uma volta e não incluía o fecho com safira e diamantes. Para o batizado da Matilde, a mãe mandou acrescentar mais pérolas e o fecho, transformando-o num colar de duas voltas. No casamento, a Matilde voltou a usá-lo, agora com a nova configuração, como homenagem aos pais, “o casal que mais admiro”, e aos avós, que já não estão presentes.

O anel de noivado foi desenhado pelo António na Ourivesaria Alvalade, na Avenida da Igreja, com a ajuda das irmãs, e as alianças foram feitas na Ourivesaria Conceição, no Cartaxo. O prato onde levaram as alianças, com a letra da música de entrada da Matilde, foi um presente das irmãs do António, criado pela Inês Bruto da Costa.

Os sapatos foram desenhados pelo Atelier Fátima Alves e forrados com seda cor-de-rosa fornecida pelo Mima Atelier, que também participou na criação do vestido, do véu e do leque. O véu, inspirado nas mantilhas espanholas, teve um toque mais minimalista em homenagem à família espanhola do António. Já o leque, uma colaboração com a Oficina do Cortiço, foi feito com o mesmo linho do vestido e bordado à mão com frases, datas e símbolos ligados à história do casal: “a nossa data de namoro, data de casamento, o nome do hotel onde ficámos noivos, as nossas iniciais e depois dois excertos de duas músicas da nossa missa de casamento”.

A decoração e o ramo da noiva ficaram a cargo da Festas e Sonhos, que acompanhou todo o processo e serviu também de grande apoio na definição do ambiente do casamento. O bouquet, em formato cascata, foi composto por uma mistura de flores bordô, brancas e azuis, pensadas para combinar com a restante decoração.

O vestido da Matilde foi desenhado pela Mima Atelier, no Cartaxo. A escolha do atelier surgiu de forma natural, não só pela ligação de longa data à família do António (os vestidos de baile de finalistas das três irmãs dele foram criados ali), mas também pela empatia imediata que sentiu com a Maria e a Inês, mãe e filha, costureira e designer.

Desde o início, a Matilde tinha uma visão muito clara do que pretendia: um vestido romântico, com toques de renda e corte império. Optou por um linho italiano, em vez dos tecidos mais tradicionais, pela ligação ao local do pedido de casamento, pela leveza e pela forma como se enquadrava no ambiente do Ribatejo. “Tanto a Maria como a Inês foram essenciais a garantir que o vestido se destacava pelos detalhes: as plissas nas minhas costas que destacavam o romantismo no vestido e ligavam à cauda do mesmo, os folhos de renda plumeti que eram visiveis na bainha do vestido ao andar e o foco principal do vestido – umas mangas compostas por rendas unilaterais que foram unidas para criar um efeito de transparência e leveza.”

O António escolheu fazer o fraque numa alfaiataria em Pombal, a Sindutex, onde há vários anos encomenda os fatos que usa no trabalho. Foi também lá que os pais e vários amigos mandaram fazer os seus fatos e fraques para o casamento.

Completou o conjunto com sapatos Oxford pretos de biqueira lisa da Lotusse e uma gravata Viola Milano, uma das suas preferidas. A camisa, da Shirt by Hand, tinha as iniciais dos noivos bordadas e os botões de punho, feitos na Ourivesaria Conceição, foram um presente dos pais. O relógio, um Tissot Tradition com a data do casamento gravada no verso, foi oferecido pela Matilde como presente de noivado.

Já com a quinta escolhida, a Matilde e o António procuraram uma igreja em Santarém, uma cidade de que ambos gostam muito. A escolha recaiu sobre a , cuja imponência, a praça e escadaria exteriores, o estilo barroco e o teto, que lhes fez lembrar a Igreja de Jesus em Roma, os encantaram desde o primeiro momento. A cerimónia contou com um coro composto por familiares e amigos, “que acabou por tornar a missa num momento muito emotivo para todos os presentes, quer por termos pessoas muito próximas de nós a cantar no casamento, quer porque pudemos escolher cada música e assim compor a nossa cerimónia”.

No altar da igreja, os noivos colocaram uma colcha com grande valor simbólico: foi feita para o casamento dos bisavós maternos do António e usada também no casamento dos pais dele. Ter esse elemento presente foi uma forma de dar continuidade a uma tradição familiar.

Elegeram a Quinta do Gaio de Cima, onde celebraram o copo-d’água, antes de tudo o resto. Havia três razões claras: nunca tinham estado num casamento naquele espaço; a proximidade ao Cartaxo, de onde é a família do António e, sobretudo, o encanto imediato pelo local. “Foi amor à primeira vista com a quinta – o exterior da casa, muito bem cuidada, o jardim francês e o pátio onde viríamos a ter o jantar de casamento.”

O save the date, o convite, o missal e o menu foram desenhados por uma das irmãs do António, a Leonor Araújo, enquanto o restante estacionário, como os identificadores de mesa e o seating chart, ficou a cargo de uma das madrinhas, a Sofia Grilo.

O catering foi organizado pela TudoBom Banquetes, responsável também pelo casamento dos pais da noiva há 34 anos e, desde então, por grande parte dos eventos da sua família, incluindo casamentos, batizados e aniversários.

No lugar do bolo tradicional, os noivos optaram por uma pirâmide de argolas de ovo, compradas na Martinica, um doce típico de Santarém e um dos favoritos da Matilde.

A fotografia ficou a cargo de Hugo Vidal, e a animação da festa esteve nas mãos do DJ Ximpa.

E como o Chez Godias é um espaço de inspiração no qual podemos aprender com as escolhas daqueles que casaram antes de nós, a história da Matilde e do António mostra como a organização de um casamento sem wedding planner pode ser um verdadeiro desafio. Os noivos optaram por tratar de tudo sem ajuda profissional e admitem que o último mês foi o mais exigente, com muitos pormenores que apenas podem ser tratados mais próximo da data. Essa acumulação acabou por gerar algum stress, tanto para eles como para as suas famílias. Olhando para trás, reconhecem que algum apoio no próprio dia teria ajudado a aliviar a pressão.

Para a Matilde e o António, o casamento foi um verdadeiro family and friends affair. Durante toda a preparação, procuraram garantir que as suas famílias e amigos mais próximos estivessem o mais envolvidos possível. As mães e as irmãs acompanharam quase todas as provas do vestido, enquanto os pais e padrinhos estiveram presentes nas provas dos fraques. As madrinhas passaram várias noites a fazer leques bordados para combinar com o da noiva (desde cortar a madeira até aos últimos detalhes) e a preparar as fitas para a entrada no jantar.

Os ensaios do coro decorriam em casa dos pais do António, sempre com jantar, música e, por vezes, lágrimas de emoção. Como recordaram alguns dos que participaram, “a celebração começou vários meses antes do dia”, o que os fez sentir ainda mais ligados ao momento. Para os noivos, envolver as pessoas mais próximas em cada etapa tornou todo o processo mais especial, não só para si, mas também para todos os que os acompanharam.

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