“Depois digam como correu”

Casamento da Carlota e do Francisco

A história da Carlota e do Francisco chegou-me através dos Besouro, videógrafos de quem gosto particularmente do trabalho e que fazem parte do Diretório de Fornecedores Chez Godias.

A Carlota e o Francisco têm das histórias mais engraçadas: conheceram-se através de um amigo em comum que os apresentou numa noite e que, dias depois, criou um grupo no WhatsApp com os três, chamou-lhe “Engate subtil”, enviou uma última mensagem – “Depois digam como correu” – e saiu do grupo. Subtil ou não, a Carlota e o Francisco desceram a Costa Vicentina três vezes nesse verão e mantiveram a tradição de a percorrer uma vez por ano nos verões seguintes. Subtil ou não, são vistos pelos amigos como os mestres da Costa Vicentina e do campismo no geral, apesar de não admitirem “ser assim tão prós”. Subtil ou não, esse grupo de WhatsApp deu frutos e estes noivos casaram no verão passado no meio da natureza que tanto adoram.

Passando da história para o dia, o vestido da Carlota foi desenhado pela Plissê, marca com a qual se identifica pelo trabalho com tecidos, a influência asiática, os bordados e a abordagem estética das suas criações – “Revia-me muito nos vestidos pensados pela Plissê”.

Durante o processo, surgiu uma situação inesperada: sem querer, a Carlota mostrou ao Francisco uma fotografia do vestido, o que levou a uma reformulação completa do desenho, em conjunto com a Madalena da Plissê. O resultado foi uma nova versão com mangas em flores, integrando flores tridimensionais, um elemento que a Carlota queria desde o início – “Acabou por ficar uma versão espetacular com as mangas em flores”.

Os sapatos foram escolhidos em amarelo, uma opção mantida desde o início, na Fátima Alves. Os brincos pertenciam à sua trisavó. O bouquet, feito pela própria na noite anterior com margaridas e jarros, tinha a fita bordada com “bolotas”, uma designação criada por um amigo, que juntou “Tota” e “Boléo”, uma alcunha da Carlota e o apelido do Francisco.

O anel de noivado era da trisavó do Francisco, escolhido pela vontade de usar uma peça com significado e história familiar. As alianças foram feitas no atelier do André Maia e Moura, que recentemente também se juntou ao Diretório de Fornecedores, utilizando ouro proveniente de presentes de batizado e das alianças de uma das avós do Francisco. No mesmo atelier, André Maia e Moura, a noiva conheceu uma nova coleção inspirada em bolotas, o que a levou a escolher um anel com duas bolotas na mão direita e um gancho com o mesmo motivo para preencher o véu.

O Francisco levou um fraque do Labrador, com uns botões de punho de família e uma gravata com flores que, coincidentemente, jogou bem com as flores do vestido da noiva.

A cerimónia, acompanhada por um coro composto por amigos e família, teve lugar na Igreja de São Domingos. De braço dado com o pai, a Carlota entrou ao som de “Maravilhas fez em Mim”.

Com bolotas desenhadas, todo o estacionário – missais, menus e convites – foi desenvolvido pela noiva, que inclusivamente desenhou as aguarelas.

A cerimónia realizou-se numa igreja próxima da casa da família do Francisco, em Castanheira de Pêra, um local onde a família passa muito tempo reunida e que fez parte do percurso do casal, onde passaram bastante tempo juntos, aproveitando a serra, as aldeias de xisto e a envolvente natural. A proximidade entre a igreja e a casa onde decorreu o copo-d’água permitiu que o percurso fosse feito a pé.

Durante o cocktail, atuaram o irmão da Carlota e o Miguel Carmona, amigo do casal. À noite, o DJ foi o Hugo Rafael.

Entre os elementos mais destacados do casamento esteve o catering da Ponte Velha, muito falado pelos convidados, assim como os Franuis para o momento do bolo. Como lembranças e também seating chart, ofereceram azeite de família em pequenas garrafas, com os nomes dos convidados escritos à mão e a indicação da mesa, cujos nomes eram propositadamente informais, como “nossa mesa”, “aquela mesa ali do canto” ou “a outra mesa”, o que me fez rir quando vi as fotografias.

A decoração foi pensada e executada pelos noivos: as flores foram colhidas por eles em abril, secas e usadas nos arranjos, aos quais juntaram gerberas frescas colocadas em garrafas de vinho recolhidas por amigos e família. As toalhas foram feitas com tecido vichy e o excedente do tecido foi reaproveitado nos rótulos das garrafas dos centros de mesa e em almofadas para o cocktail, com a ajuda de uma prima. Para a zona de sofás, recorreram à Episódio Eventos.

A organização do casamento foi feita pelos próprios, uma vez que decorreu em casa e com uma abordagem contida, o que implicou tratar de toda a logística, desde a disposição das mesas às casas de banho, iluminação, holofotes e material emprestado, um processo que envolveu amigos e família ao longo de vários meses.

A abertura da pista ficou a cargo da banda Café Creme, conhecida do casal das festas dos Lombos, em Carcavelos, com um alinhamento que incluiu vários temas dos Xutos & Pontapés.

As fotografias ficaram a cargo do António Noronha e da Francisca Noronha, enquanto o vídeo, do qual foram retirados estes frames, foi feito pelos Besouro – deixo aqui o link da versão curta para espreitarem.

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