

Tem um gosto especial partilhar este casamento, uma vez que a Mariana e o André, depois de verem no Chez Godias os convites do nosso casamento, me desafiaram a desenvolver os seus. O casamento, marcado para o solstício de verão, incluía também a criação de um guia do Algarve para os convidados que vinham de várias partes do mundo.

A Mariana e o André mudaram-se para Zurique em 2020 para iniciar uma nova fase profissional. O André foi de Lisboa, já com alguns amigos, enquanto a Mariana chegou de Barcelona sem conhecer ninguém e foi através de ligações nas redes sociais que conheceu a pessoa que os viria a apresentar.
Num período marcado pela pandemia, encontraram um grupo de amigos que rapidamente se tornou uma família, com quem descobriram a cidade e viveram um ano de proximidade e partilha. Foi nesse contexto que se foram aproximando, tornando-se grandes amigos até perceberem que já não conseguiam imaginar a vida um sem o outro.

Com um conjunto da L’Arca, a noiva foi maquilhada pela Catarina Cirne e penteada pelo André, da Hair-Pro. Apesar das preocupações com o calor e com o cabelo apanhado, “o resultado manteve-se impecável ao longo do dia”. O André levou também a sua equipa e, em conjunto com a Catarina, asseguraram a maquilhagem e o cabelo das madrinhas e familiares próximas.


Para a cerimónia, a Mariana levou uns sapatos Stuart Weitzman, “intemporais e delicados, com salto fino, mas confortável.”

Na escolha das joias procurou peças intemporais e com personalidade, sem recorrer a joias de família. Optou por brincos da Vintage by López-Linares, uma joalharia em Toledo dedicada à reprodução de joias históricas em prata.


Num processo completamente à distância, o leque foi feito à medida pela Gigihandfans em colaboração com a Felicidad Perea Atelier, que desenhou o bordado e criou também a fita do ramo bordada à mão.



O vestido foi feito na Marta Martí em Barcelona, cidade onde a noiva viveu entre os 21 e os 30 anos e cujas referências de estilo sentia mais próximas. A escolha da estilista surgiu por recomendação de uma madrinha e fez sentido tanto pelo ambiente do atelier como pelos tecidos, texturas e simpatia da equipa.

O vestido tinha o corpo em gaze drapeada, a camada superior da saia em gaze plissada e, por baixo, uma camada de organza que dava estrutura ao conjunto. O plissado da saia, chamado soleil, coincidiu simbolicamente com o dia do solstício de verão, data do casamento. O véu foi escolhido em musselina de seda, simples, leve e fluido.




A Mariana ofereceu às madrinhas umas peças de cerâmica feitas por si, marcadas com a versão simples do logótipo que desenhei para o casamento. No packaging, aparecia o logótipo completo, que integrava o sol, por ser o dia do solstício, o M de Mariana e o A de André.



O noivo usou um fato de três peças azul-escuro, feito na Mister Man, com colete em linho e gravata. Completou o conjunto com sapatos Mariano e botões de punho vintage comprados na Portobello Road Market, em Londres, durante uma viagem do casal.




A cerimónia teve lugar nas Casas da Quinta de Cima, no Algarve, uma região com significado para ambos. Para a Mariana, por ser algarvia, e para o André, por ter família na zona, o Algarve está associado a casa, tranquilidade, sol, boa comida e simplicidade. Depois de terem comprado a sua primeira casa em Alvor, em 2024, quando ficaram noivos, decidiram que queriam casar na região.


A organização esteve a cargo da By Matilda, com a Filipa a acompanhar todo o processo. No dia do casamento surgiram vários contratempos, entre eles o calor intenso nas primeiras horas – “a Filipa foi incansável durante todo o processo” e tanto ela como a equipa “não pararam, para que tudo corresse da melhor forma possível”.
O material necessário foi alugado à BC Planning e a decoração foi pensada em conjunto com a By Matilda, com o objetivo de que “tudo parecesse pertencer naturalmente ao espaço” e de evocar o verão. As flores ficaram a cargo da Bloomery Floral Design, numa colaboração próxima durante a prova e definição do conceito. Quatro dias antes do casamento, devido ao calor, a flor principal deixou de estar disponível, obrigando a um reajuste do plano, tendo sido utilizadas clematis, allium, hortênsia verde, anémona, wild carrot e dália café au lait.




Quanto aos convites, tendo em conta que os noivos iam receber amigos de vários sítios, o Chez Godias desenvolveu um wedding guide. Neste mapa, “Bem-vindos ao Algarve”, os convidados podiam encontrar os restaurantes, lojas e praias preferidos dos noivos, bem como alguns lugares especiais que faziam parte da sua história, para que pudessem conhecer a região de uma forma personalizada. A ilustração ficou a cargo da Ana Gil.


Alguns elementos do estacionário foram desenvolvidos em colaboração com a Sol Ferrándiz, incluindo o seating plan, o welcome sign, os menus do bar e dowelcome drink e fotografias impressas em algodão que foram oferecidas aos padrinhos, madrinhas e familiares. As fotografias usadas no seating plan mostravam momentos de infância dos noivos, imagens dos casamentos dos avós e dos pais, bem como fotografias dos noivos com os pais ou avós. Esta seleção “contava a história de duas famílias que se uniam” e constituiu “uma pequena homenagem à nossa família”.




O catering ficou a cargo da Gengibre Cozinha Criativa, com um menu de verão inspirado na gastronomia portuguesa e algarvia, com alguns apontamentos da cozinha espanhola. No cocktail incluíram elementos mais espanhóis, mas a grande atração foi o bar de ostras, tão conhecido e popular em Cacela Velha. No jantar, os pratos servidos foram exclusivamente de marisco e peixe, mantendo o conceito de verão e de Algarve, e no buffet de sobremesas foram incluídos doces tradicionais do Algarve e de Sintra, refletindo as origens dos noivos. O bar esteve a cargo da Ás de Copos.




Durante o cocktail, os noivos contaram com a Jazz in Algarve, uma vez que o André é um grande fã de jazz, e também com ilustrações ao vivo da Veil and Vow.










O bolo dos noivos foi preparado pela irmã da Mariana, a Adriana, chef de pastelaria em Barcelona. O corte do bolo marcou o início do momento da sobremesa, mas foi feito de forma a manter a fluidez do jantar: os convidados permaneceram sentados, os noivos posicionaram-se de forma a que todos os vissem, cortaram o bolo, disseram algumas palavras e terminaram com um brinde com um shot de medronho, a aguardente típica do Algarve.




A festa, com DJ e iluminação a cargo da Palco Narrativo, passou para o interior, no armazém onde normalmente funciona a sala de estar do hotel.



As fotografias ficaram a cargo da Wildhorses, uma equipa de fotógrafos espanhóis, e o vídeo dos Da Palma Films.



A Mariana deixa um relato que pode ser útil para outros noivos: “Infelizmente, estava muito calor nesse dia. Teria feito sentido levar chapéus de sol para o espaço da cerimónia, até porque havia essa possibilidade. Eu estava nos preparativos e não me apercebi do calor que se fazia sentir. Suponho que ninguém me quisesse perguntar nada para não me incomodar. Uma aprendizagem importante é que, dependendo da vossa personalidade, vale a pena falarem com as pessoas mais próximas antes do casamento e combinarem como querem gerir os imprevistos. Preferem saber ou nem por isso? Dão liberdade às pessoas para alterarem o plano? Vai haver sempre imprevistos, por isso mais vale estarem preparados para isso.”