

Esta é a história do casamento entre uma bridezilla que sempre sonhou com o dia do seu casamento e um noivo descontraído que levou um fraque emprestado de um amigo. É, também, a história da Margarida e do Domingos que se conheceram no K Urban Beach, no verão de 2015, e casaram no verão de 2025 com a presença da “bomba latina” preferida dos portugueses.

Se, por um lado, a Margarida queria um casamento alinhado com tudo o que sempre sonhou, “com todos os clichês incluídos: entrada na tenda, corte do bolo, primeira dança com o pai, discursos, convites físicos”, por outro, no que diz respeito ao seu look, procurava afastar-se de uma estética tradicional, evitando “penteados e maquilhagem típicos de noiva”, para tal, contou com a Raquel Batalha.



Utilizou um colar da sua avó, comprado num leilão em Londres nos anos 80. Com as peças que sobraram após ajustá-lo à sua medida, fez uns brincos na Inge, marca onde o Domingos tinha comprado o anel de noivado.


“Os sapatos eram Stuart Weitzman, fechados e pontiagudos à frente. Queria uma coisa digna de red carpet de Hollywood e Met Gala – sempre foi essa a minha visão.”

“O João Pena, da Tudo é Festa, fez o meu ramo e toda a decoração de flores do casamento. É o mestre das flores em Portugal e fez o meu sonho acontecer.”

Depois de vários anos a juntar referências e inspirações para o seu vestido, a Margarida acabou por concretizar mais do que uma peça, todas pensadas para poderem ser usadas noutras ocasiões. O primeiro vestido, desenhado pela Susana Agostinho e usado na missa e no cocktail, tinha como inspiração Virgem Maria, Kim Kardashian e Grace Kelly – “sentia-me numa red carpet, a pessoa mais bonita do mundo, com uma saia e um corpete com alças propositadamente descaídas que o meu noivo puxou para cima assim que cheguei ao altar por achar que tinham caído sem querer.”








O noivo levou um fato emprestado por um amigo, como já referido, uma gravata oferecida pela noiva e uns botões de punho com as iniciais gravadas, oferecidos pelos sogros.



“As alianças fomos nós que as fizemos com o joalheiro João Pereira de Melo, levámos ouro que tínhamos do nosso batizado, escolhemos tudo e fizemos com a ajuda do João. Adorei essa manhã e acho que é uma coisa que fica para a vida com muito mais significado. Nós mesmos gravámos o texto por dentro.”

A cerimónia realizou-se na capela da casa dos avós da noiva, no Alentejo, o mesmo local onde os seus pais tinham casado 30 anos antes. A missa decorreu no exterior por forma a acomodar todos os convidados, concretizando um desejo antigo da noiva de casar em casa.








A cerimónia contou com um coro composto por primos, como já é costume na família. O missal teve o mesmo design utilizado no casamento dos pais e a decoração da missa incluía uma cruz feita de flores, também semelhante à que tinha sido usada há 30 anos.



O copo-d’água realizou-se no jardim onde os pais da noiva também tinham celebrado, um espaço que recebeu entretanto os casamentos de todos os primos e do irmão. Na véspera, a noiva jantou com toda a família – tios, primos, avós, pais, irmãos e padrinhos – e no próprio dia acordou e arranjou-se em casa. Nos dias anteriores, toda a família participou nos preparativos, com a tia responsável pelas casas de banho e a avó pela decoração do altar da missa, entre outras contribuições.


Entre os convidados, estavam a Quica e o Duarte, da história “Tenda de echarpes“.





O catering esteve a cargo da Quinta da Taipa, enquanto ao planeamento e a decoração foram assegurados pela Tudo é Festa. Toda a decoração floral foi desenvolvida pelo João Pena, também da Tudo é Festa, com um conceito totalmente em tons de rosa-choque, reunindo diferentes variedades de flores. O contraste surgia com a decoração em espelho e vidro das mesas, a alcatifa às riscas pretas e brancas e um bar em espelho, ao centro do qual se encontrava uma árvore de buganvília.






O design do estacionário ficou a cargo da Sketchital, num processo descrito como próximo e colaborativo, no qual a noiva foi acompanhada e guiada ao longo das diferentes fases, sempre com o objetivo de dar forma à sua visão e facilitar todas as decisões ao longo do processo – “Não podia recomendar mais!”.





A última homenagem à família, já com um vestido brilhante desenhado pelo Filípe Faísca, foi o bolo dos noivos em forma de coração feito em casa, inspirado no bolo de casamento da avó da noiva.



Para a festa, e num dos momentos mais marcantes do dia, a noiva passou para o último vestido, curto. Fã desde a adolescência, acompanhou vários concertos da Ana Malhoa ao longo dos anos, tendo chegado a partilhar com a artista o sonho de a ter presente no seu casamento ainda antes de estar noiva. Já após o noivado, esse desejo foi concretizado e mantido em segredo durante nove meses. A Margarida anunciou a entrada da Ana Malhoa em palco, cantou com ela e viveu o momento em primeira fila no seu próprio casamento. A atuação foi uma surpresa para todos os convidados, que, segundo os noivos, “vibraram e amaram”.





E como os leitoreis mais assíduos já sabem, no final da entrevista costumos pedir aos noivos que deixem alguns conselhos para quem estiver a preparar o grande dia. Aqui ficam os conselhos da Margarida:
- Andar com os sapatos antes do casamento e mesmo assim levar sempre uma opção mais confortável para trocar no dia, caso seja necessário, mesmo quando parece não ser preciso.
- No dia do casamento, tentar estar o mais presente possível e não deixar que imprevistos ou situações menos boas ocupem demasiado espaço, já que não há nada a fazer e o mais importante é aproveitar o momento.
- Aceitar que é normal sentir cansaço durante a noite, mesmo quando existe a expectativa de querer viver tudo até ao fim sem parar e não criar culpa por isso.
- Fazer uma preparação “espiritual”, mesmo que não religiosa, antes do casamento, através de processos a dois que ajudam a criar ligação enquanto casal e a preparar o caminho até ao grande dia, incluindo experiências como o CPM católico que, no caso destes noivos, foi mais sobre o casal do que sobre religião.

E como denuncia o título desta história, a Margarida descreve que sonhava muito com este dia e que sabia exatamente como queria que tudo acontecesse, o que a levou a viver o processo de forma intensa e, nas suas palavras, “muito Bridezilla” e “um bocado control freak“, reconhecendo que nem sempre foi o percurso mais leve. Ainda assim, o resultado acabou por superar as expectativas, sendo “ainda melhor que os meus sonhos”, mesmo num contexto em que a expectativa era muito elevada e cada detalhe foi vivido com grande envolvimento.
Para quem passa pelo mesmo processo: não há uma única forma certa de viver a preparação de um casamento. “Take control, não se importem de ser teimosas. It’s your day e só se vive uma vez. Este é o dia para ser à vossa maneira.” No fundo, a forma como cada noiva vive este processo pode ser mais ou menos intensa, mais ou menos controlada, e isso também faz parte de o tornar único e, muitas vezes, perfeitamente normal. You do you.

As fotografias ficaram a cargo da Rita Gazzo, que integra o Diretório de Fornecedores Chez Godias, e o vídeo do Sirklau Films.


