
Não há dois casamentos iguais, mas posso afirmar que o casamento da Madalena e do João tem uma estrutura muito distante daqueles a que estamos habituados.

O João e a Madalena são assistentes de bordo na TAP e foi precisamente a bordo que as suas vidas se cruzaram. Em setembro de 2018, fizeram um voo juntos: um voo que o João tinha pedido especificamente e onde a Madalena foi chamada à última hora. Rapidamente perceberam que partilhavam algumas coisas em comum, como viverem na mesma rua!

Para o dia do casamento, a Madalena começou por comprar uns Manolo Blanhik azuis – “Eram os meus sapatos de sonho desde criança, talvez por ter visto tanto Sexo e a Cidade e a Carrie ser uma inspiração. Achei que usá-los no meu casamento era a oportunidade ideal para finalmente comprar um par.”
A partir da escolha dos sapatos, a Madalena escolheu o resto dos detalhes: levou uns brincos Sara Sousa Pinto com pedras azuis, usou uma fita azul no cabelo e, na maquilhagem feita pela Inês Abreu Lima, levou um risco azul nos olhos.







Para além do anel de noivado da Mejuri, a Madalena levou dóis anéis da mãe que já costuma utilizar no seu quotidiano. As alianças foram mandadas fazer na Aristocrazy.

Curiosamente, entre as convidadas, estava a primeira noiva que publiquei no Chez Godias, numa história intitulada “O vestido da Beatriz“.



Durante os preparativos com a sua família e amigos, a Madalena contou com o catering da Bavard.




O vestido da noiva foi desenhado pela Plissê. Como nunca se imaginou com um vestido típico de noiva, escolheu este atelier por saber que trabalham com vários tecidos e ideias diferentes. Em colaboração com toda a equipa, conseguiram concretizar o conjunto de sonho da Madalena.






A Madalena nunca quis levar bouquet, pois não é grande admiradora de flores. No entanto, como a mãe queria muito, acabaram por concordar nuns jarros brancos, que a noiva até gostava. A mãe encomendou os jarros e a Madalena foi buscá-los na manhã do casamento, mas quando lá chegou, os jarros já estavam há uma semana na florista, completamente murchos e tristes. A rir-se, ligou a uma amiga a contar o que se passava e esta respondeu-lhe que nem pensar em levar flores assim, então comprou-lhe flores brancas de outra espécie, ainda sem saber qual.




A cerimónia teve lugar na Igreja da Memória, em Lisboa, acompanhada pelo coro ao qual pertence o irmão mais novo do João – “A escolha foi fácil, eles são incríveis”.


O João mandou fazer um fato à medida, que conjugou com uns mocassins da Massimo Dutti e o relógio oferecido pela noiva na véspera.




As fotografias oficiais ficaram a cargo da Maria Antunes, uma amiga que tinha acabado de terminar o curso de fotografia e que fotografou desde os preparativos da noiva até à saída da igreja, onde os noivos surpreenderam os convidados com a saxofonista Anastasiia Kukunina.

E se, até esta parte da história, poderia estar a descrever um casamento dentro dos moldes a que estamos habituados, a partir desta frase começamos a perceber as diferenças que referi na introdução. O João e a Madalena sabiam desde o início que não queriam um casamento tradicional e que tinham um orçamento limitado. A Madalena confessou que, apesar de acompanhar muitos casamentos no Instagram, nenhum era o seu género – muitos convidados, dinâmicas e logística. Não se via como noiva e por isso decidiu que queria o oposto: um jantar muito simples, apenas com família e amigos muito próximos – resultando em cerca de 60 pessoas. Inicialmente pensaram casar na casa de família da Madalena, no Alentejo, mas rapidamente mudaram de ideias. Apesar de deixarem claro aos fornecedores que queriam algo simples, todas as propostas que receberam eram iguais a outras cerimónias. Foi então que decidiram parar e respirar fundo, optando por reunir os amigos como faziam habitualmente, com a única diferença de que nesse dia também casariam.

Na procura pelo restaurante ideal para este jantar de família e amigos, os noivos encontraram, segundo me contaram, o sítio perfeito para o seu dia, tendo em conta o espaço, a vista e a qualidade da comida.

Dada a simplicidade que pretendiam, não contrataram ninguém para a organização e a decoração era a do próprio restaurante. Já o momento do bolo decorreu com a descrição de quem come uma sobremesa a seguir ao jantar, neste caso, brigadeiros com um copo de espumante.


O casamento da Madalena e do João mostra que não é preciso seguir fórmulas nem tradições para viver um dia memorável. Com escolhas conscientes, rodeados apenas de quem é importante e num ambiente que lhes fazia sentido, criaram um momento que foi verdadeiramente deles: simples, autêntico e cheio de significado.
