

O título desta história está relacionado com a forma como estes noivos se conheceram, em 2021, no início do desconfinamento. Num convívio com amigos em comum, a Guiga e o Ricardo acabaram por ficar sentados lado a lado e rapidamente perceberem que são ambos bastante faladores – “Eu sou MUITO faladora e, de repente, percebi que o Ricardo também era. Nesse primeiro dia, já estávamos os dois a falar sem parar e a partir daí fomo-nos cruzando cada vez mais. Ficávamos sempre a conversar, sempre com mais perguntas um sobre o outro e acabámos por ir juntos ao McDonald’s.” No final, o Ricardo pediu à Guiga para lhe enviar MB Way da sua parte, o que a surpreendeu, mas não passava de uma forma de ficar com o seu número de telefone.


Foi através da STOA, atelier que integra o Diretório de Fornecedores Chez Godias, que descobri este casamento e fiquei com vontade de o publicar. A Guiga marcou uma primeira visita apenas para conhecer o atelier e perceber como funcionava o processo, mas acabou por não visitar mais nenhum. Apesar de não ter uma ideia definida para o vestido, sabia que queria um conjunto de top e saia, com uma estética moderna, mas que a fizesse sentir noiva. Ao longo das provas, foi definindo o projeto em conjunto com a Catarina, até chegar a uma peça transformável.

“A Catarina e a Milu foram sempre muito queridas. Foi um processo duro no início, com as minhas indecisões todas, mas que nas últimas provas se transformou num processo que vai mesmo deixar saudades. Aliás, fiquei logo nostálgica no dia da entrega do vestido, com as duas.”


Sem nunca mudar de vestido, a Guiga foi alterando o visual ao longo do dia. Na cerimónia, usou uma mantilha da família do lado materno como capa, presa com uma joia da avó. À saída da igreja retirou a mantilha, no cocktail alterou a posição das alças e, na entrada para o jantar, removeu a cauda e voltou a transformar o top com a mesma joia. Mais tarde, substituiu as alças por um choker com uma flor, um detalhe que fazia referência ao seu nome, Margarida.


Para o penteado e maquilhagem, a Guiga escolheu a Andreia Cabral e a Tita Oom, respetivamente. Como acessórios, levou uns sapatos feitos pela Fátima Alves e uns brincos da avó, que combinavam com a joia usada para prender a mantilha durante a cerimónia. Como a avó Belica não pôde estar presente no casamento, a Guiga decidiu levar consigo estas peças.




As alianças foram feitas pelos próprios noivos, num workshop e o ramo ficou a cargo de uma das madrinhas, a Carmo. A Guiga mostrou-lhe algumas inspirações e pediu um ramo que combinasse com os sapatos roxos. Só viu o resultado na véspera do casamento e adorou.


As madrinhas da Guiga encontraram diferentes soluções para os vestidos, da esquerda para a direita, temos: uma madrinha que comprou tecido e mandou fazer o vestido, outra que comprou um conjunto num Mercadillo de Madrid e, as restantes, compraram na Zara, Renatta & Go e numa viagem à China, respetivamente.



O Ricardo usou um fraque que já tinha e mandou fazer apenas o colete na Wickett Jones. Como acessórios, levou uma gravata Hermès, sapatos da marca portuguesa Cruz de Pedra, uns botões de punho antigos e o relógio que a Guiga lhe ofereceu quando completou 28 anos.

A cerimónia realizou-se na Igreja da Memória, na Ajuda, escolhida depois de os noivos visitarem dezenas de igrejas em Lisboa. Procuravam um espaço com luz, que não fosse demasiado solene, grande ou frio. Quando entraram na Igreja da Memória, sentiram que era o local certo para celebrar a missa com a família e os amigos. Por coincidência, a igreja fica em frente ao atelier da Mafalda Girão, onde o Ricardo fez o anel de noivado.




O anel de noivado, com assinatura da Mafalda Girão, foi feito juntamente com o Ricardo, que pretendia criar uma peça original com esmeraldas, a pedra preferida da Guiga. Entre as várias decisões tomadas durante o processo, escolheram uma esmeralda central maior e mais achatada, distinguindo-a das restantes.




Para a missa, a mãe da Guiga preparou uma surpresa e ofereceu aos noivos uma tábua personalizada e esculpida, representando três momentos (encontro, diálogo e escuta, e partilha e festa), símbolos do caminho do casal até ao casamento. Na ação de graças, o primo da noiva, João Só, interpretou “Olha Para Mim”, acompanhado por um amigo dos noivos, uma música escolhida pelo casal depois de a terem ouvido num concerto pouco tempo após terem ficado noivos.




“Sabíamos que íamos da igreja para o copo-d’água numa pão-de-forma, mas não fazíamos a mínima ideia de que vinha toda personalizada para nós. Um tio muito querido preparou a carrinha toda do início ao fim e estava um máximo! A saída foi caótica, no bom sentido: padrinhos e madrinhas todos espremidos lá dentro e o Ricardo sem saber bem como pôr a carrinha a andar.”



O copo-d’água realizou-se na Tapada Spot, com catering da MCatering e coordenação da Inês, da MILO Weddings. A decoração ficou a cargo da Event Partners, com centros de mesa da Decofloralia, flores suspensas feitas pelos noivos e pela mãe da noiva e iluminação assegurada pela BS events. Como os noivos são apreciadores de cocktails, contrataram o Mojito Bar, que serviu, ao longo da festa, bebidas como Moscow Mule, Aperol Spritz, Espresso Martini, caipiroscas de fruta e, depois do jantar, amêndoa amarga.


Apaixonados por concertos e pelas sessões de carpool que fazem juntos, os noivos decidiram dar às mesas nomes de músicas. A partir dessa ideia, utilizaram as capas dos respetivos álbuns, sobre as quais colocaram o nome de cada música, e criaram discos de vinil com os nomes dos convidados.



“Decidimos que não queríamos gastar muito papel, então os convites foram digitais e não imprimimos menus. Tínhamos nos centros das mesas a imagem do disco da música e um QR code, com acesso a um link para o menu digital e outro para a playlist Spotify das mesas (para as pessoas poderem ouvir as músicas).”






Uma das tradições que marcou o dia teve lugar após o corte do bolo: a família da noiva, do lado materno, cantou uma música escrita de propósito para os noivos, mantendo uma tradição que se repete nos casamentos da família. Para o bolo, foi criada uma escultura a partir de argolas de cerâmica que tinham feito para os guardanapos e que acabaram por se abrir durante a cozedura. Encheram-na de suspiros e uma amiga ceramista da mãe da noiva criou duas figuras em cerâmica, representando o casal.


Depois do jantar, o Ricardo surpreendeu a Guiga com a atuação do grupo Pé na Areia, que ambos tinham descoberto, por acaso, três anos antes, na Marina de Cascais. A banda surgiu de surpresa e deu início a um dos momentos mais animados da festa. A primeira dança, ensaiada com o Hugo Fonseca, foi uma salsa ao som de “Baile Inolvidable”, de Bad Bunny.






As fotografias utilizadas para contar esta história são da autoria do Hugo Vidal, do António Fabião e de alguns amigos dos noivos, que usaram uma máquina descartável.

